Os desafios dos professores em tempos de quarentena
Enviada em 27/11/2020
O escritor Stefan Zweig mudou-se para o Brasil devido às perseguições nazistas na Europa. Nesse contexto, o escritor foi recebido e criou a obra “Brasil, o país do futuro”. Contudo, de maneira lastimável, o desafio do professor em plena pandemia não vai de encontro ao ideal descrito na obra. Sob esse aspecto, dois fatores são relevantes: a falta de ajuda pública e o individualismo pessoal. Com isso, convém ser analisadas as consequências de tal postura negligente para a sociedade.
Em primeiro plano, é preciso atentar-se para o espelho venerável presente na questão. Segundo o filósofo grego Aristóteles, “a política deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade”. No entanto, observa-se que, desde a colonização do país, o ensino público não tem favorecido a todos os cidadãos, haja vista que, apesar de que o Governo tenha adquirido o ensino EAD (ensino a distância) durante a pandemia e crise econômica, alunos e professores não têm o material necessário para poder ensinar ou aprender, tendo, como consequência, o pouco aprendizado dos alunos e grandes desafios para os responsáveis por ensinar.
Outrossim, a falta de empatia pelo próximo ainda é um grande impasse para resolução da problemática. Na obra “Modernidade líquida”, Zygmunt Bauman defende que a sociedade atual é fortemente influenciada pelo individualismo. A tese do sociólogo pode ser observada de maneira específica na realidade do Brasil, no que tange ao ensino a distância. Essa liquidez, que influi sobre a carência dos brasileiros em relação à diversidade, funciona como um forte empecilho para resolução, tendo em vista que, mesmo que muitos jovens e crianças que tenham internet e aparelhos eletrônicos apropriados para os estudos em casa, poucos participam das aulas virtuais, causando, assim, o abandono sobre as aulas e ensino, perdendo, então, um ano de aprendizado.
Portanto, para que a diversidade comece a fazer parte da sociedade brasileira, medidas precisam ser tomadas. Logo, é necessário que famílias, em parcerias com as prefeituras das cidades, exijam o cumprimento do direito constitucional para os dependentes de computadores e outros aparelhos eletrônicos que auxiliem no estudo. Essa exigência deve ser por meio de greves e reclamações coletivas, com descrição de quem sofre ou sofreu com o problema, ou seja, a educação a distância, a fim de que a mudança seja construída no país. Além disso, escolas devem ser abertas para o públicos mais necessitados ao estudo, seja jovens, crianças ou professores. Desse modo, todos os cidadãos atuarão ativamente na mudança da realidade brasileira.