Os desafios dos professores em tempos de quarentena

Enviada em 01/01/2021

Paulo Freire, ao afirma que se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela, tampouco, a sociedade muda, demonstra a importância da educação e, consequentemente, do professor. No entanto, no atual cenário brasileiro, é notável o descaso com a profissão do docente, especialmente durante a quarentena. Isso se evidencia não apenas pelo desafio de alterar o padrão presencial das aulas para o ambiente virtual, mas também pelo descaso do Poder Público em garantir o acesso de grande parte dos discentes às aulas de seus mestres. Cabe-se, então, superar essas barreiras.

Em uma primeira análise, sob a ótica histórica, a sala de aula é o palco principal do desenvolvimento pedagógico. Isso porque, secularmente, o professor ministra suas aulas de modo presencial, porém, com a pandemia do novo coronavírus, essa relação foi interrompida, haja vista a grande possibilidade de contágio da doença, o que permitiu a passagem das classes para o meio virtual e, por consequência, a necessidade de adaptação do mestre a essa nova realidade. Segundo pesquisas do Instituto Península, cerca de 88% dos professores nunca tinham ensinado por meio de aulas online antes da quarentena, o que representa o grande obstáculo a ser superado pela maioria dos docentes. Dessa forma, adaptar-se a esse novo normal é fundamental para garantir a perpetuação do ensino.

Ademais, em segundo plano, a falta de acesso à internet de muitos estudantes, principalmente os da rede pública, ergue-se como outro desafio para o professor durante a quarentena. Nessa caótica conjuntura, o corpo discente afetado não tem a possibilidade de acompanhar as aulas que precisam ser administradas virtualmente durante esse período de restrição, o que atrapalha o andamento do ano letivo e, consequentemente, o trabalho dos docentes, uma vez que o Poder Público não atua de maneira efetiva para resolver essa barreira. Simon Schwartzman, nesse sentido, por meio do conceito de “Neopatrimonialismo”, definiu que o Estado se aparta de sua função pública, privilegiando o ambiente privado e trabalhando em causa própria, o que se afasta da busca pela melhoria nas condições atuais do ensino público. Dessa maneira, não há ações efetivas de combate ao problema.

Torna-se evidente, portanto, que os desafios do professor perpassam por questões adaptativas ao momento atual e pela secundarização da pauta estudantil pelo governo. Para reverter esse quadro, é preciso que o Poder Executivo, por intermédio do Ministério da Educação, faça a disponibilização de chips carregados com acesso à rede de internet, para que o aluno acesse às aulas. Além de criar um curso que ensine o docente a ministrar aulas virtuais, por meio de aulas técnicas, como ensinar a editar  vídeos e a montar arquivos digitais, para que o mestre esteja preparado. Dessa maneira,construir-se-á uma sociedade que de fato mude a realidade tal como disse Paulo Freire,mesmo durante a quarentena.