Os desafios dos professores em tempos de quarentena
Enviada em 08/04/2021
Durante a pandemia, em um discurso, o secretário da educação do Estado do Paraná, Renato Feder, declarou que os alunos sem equipamentos para o ensino remoto devem “se virar”. De fato, a fala do secretário explícita existir uma grande dificuldade na realização dos estudos em época de quarentena. Nesse contexto, percebe-se que a situação está gerando muitos desafios, não só para os alunos, mas também para os professores. Com isso, emerge um problema sério em virtude da desigualdade social e da omissão governamental.
Nesse cenário, primeiramente, a disparidade social mostra-se um complexo dificultador. Segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, o Brasil é hoje o oitavo país mais desigual do mundo. Tal disparidade é nítida nos obstáculos que os professores estão enfrentando por conta da educação a distância, visto que parte dos alunos não tem acesso à internet ou a um ambiente adequado para os estudos em casa, causando em seus professores o sentimento de tristeza e angústia, por não conseguirem ensinar a todos. Assim, diminuir a desigualdade no país é fundamental para atuar sobre esse problema.
Além disso, a inércia estatal ainda é um grande impasse para a resolução do problema. Para Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem estar dos cidadãos. Porém, tal responsabilidade não está sendo honrada quanto às dificuldades e necessidades que vêm afrontando os docentes, uma vez que muitos professores não dominam as tecnologias e também não tem acesso a equipamentos de qualidade para poderem oferecer um ensino bom, e toda essa responsabilidade ficou para o formador, sem uma ajuda financeira para aquisições. Assim, para que tal bem estar seja usufruído, o Estado precisa sair da inércia que se encontra.
Portanto, é urgente intervir nesse problema. Para isso, o Governo Federal deve criar uma agenda específica para o tema, por meio da organização de fundos e projetos, a fim de reverter a falta de ação política que afeta os professores e alunos em tempo de quarentena. Tal ação pode, ainda, contar com consultas públicas para entender as reais necessidades da população. Paralelamente, é preciso intervir sobre a desigualdade social, por meio da destinação de recursos para grupos excluídos, tornando a educação mais democrática. Dessa forma, não será necessário o aluno “se virar” para poder estudar de maneira eficiente.