Os desafios dos professores em tempos de quarentena

Enviada em 15/04/2021

Educação bancária, para o educador Paulo Freire, é aquela que consiste em “depositar conteúdos” na mente dos estudantes, sem desenvolver neles a percepção crítica e social da realidade. Nesse contexto, o Brasil conhecido por sua educação bancária tem um imenso desafio no sistema de ensino EAD, visto que, boa parte dos alunos não têm aporte suficiente para estudar de maneira autônoma e produtiva. Tal fato evidencia-se pela falta de infraestrutura, bem como pelo escasso auxílio familiar.

Mormente, evidencia-se que a falta de recursos financeiros é uma grande responsável pela complexidade do problema. Tem-se que a base de uma sociedade capitalista é o capital, como explica o filósofo Marx em sua doutrina. Nesse sentido, para serem resolvidos problemas no contexto capitalista, faz-se necessário investimento financeiro. No entanto, há uma lacuna de investimento tanto para a produção de aulas pelos professores quanto para o acesso das aulas pelos alunos, que tem sido negligenciada, o que torna a sua solução mais difícil de ser alcançada. Sob essa ótica, um local de estudos apropriado com um computador e internet de qualidade não é uma realidade dos estudantes e professores brasileiros o que compromete o funcionamento das atividades de tais.

Outrossim, a baixa formação familiar ainda é um grande impasse para a resolução da problemática. A pandemia do COVID-19 trouxe consigo a necessidade de isolamento e devido a isso diversos trabalhos estão ocorrendo de maneira “homeoffice” e a adaptação a esse novo modelo de trabalho nem sempre é positivo, assim como o ensino à distância. Além de conciliação do trabalho e as atividades domésticas ainda há a necessidade de auxiliar as crianças no novo sistema de aulas, principalmente as menores, que nos anos iniciais precisam de mais atenção e paciência. Entretanto, nem sempre em casa o alunado consegue esse apoio, nem todos os pais têm a formação acadêmica, tempo ou capacidade de auxiliar seus filhos, que enfatiza a necessidade de um professor.

Infere-se, portanto, que medidas de intervenção são necessárias. Cabe ao Ministério Público Federal em parceria com as Secretárias de Educações, desenvolverem programas de incentivo e subsídio para que os discentes e docentes tenham acesso a todas as ferramentas necessárias para enfrentar o período de EAD. Estes devem ocorrer por meio de auxílios financeiros para a compra de equipamentos digitais como computadores e contratação do serviço de internet para aqueles que possuem vulnerabilidade socioeconômica, além do fornecimento de cursos de preparação digital para os que compõe o ambiente escolar e de instruções de ensino para os genitores. De modo que todos consigam se adaptar da melhor maneira, com mais autonomia e sem que haja o comprometimento da educação. Então, repensar a educação bancária que ainda nos assola.