Os desafios dos professores em tempos de quarentena

Enviada em 30/07/2021

A necessidade de isolamento social na pandemia de covid-19 exigiu da educação uma mudança forçada, expondo os professores a grandes desafios durante a quarentena. Com o modelo tradicional já em defasagem, a nova realidade intensificou problemas já existentes e deu brecha à mais vulnerabilização de grupos já marginalizados.

Nesse contexto, no cenário brasileiro, a ausência de qualificação e domínio suficiente para a adoção de novas tecnologias do ensino estão entre os maiores desafios. Em suma, de acordo com o Instituto Península, 55% dos profissionais da área não se sentiam preparados para o ensino remoto, o que resulta na ineficiência dos programas levantados para alcançar os estudantes por meios digitais em tempos de quarentena. Com isso, a estrutura de trabalho precária corrobora com a defasagem do sistema educacional que se personifica na violação do direito Constitucional à educação de qualidade (seja para formação profissional, seja para os alunos). Somado a estes fatores, a sobrecarga de trabalho diante de demandas diárias que ultrapassam os limites de horas acertadas tem sido recorrente, com mais de 50% dos professores relatando piora na saúde física e mental, de acordo com a Pesquisa Realidade Docente 2021.

Ademais, a acessibilidade dos estudantes impõe ainda mais esforços, diante das lutas contra a evasão escolar, trabalho infantil e segregação sócio-espacial. De fato, o IBGE relata que 25,3% das pessoas com dez anos ou mais não possui acesso à internet, destes, até 60% não dispõe de redes de esgoto (Pnad), reafirmando as precárias condições de pobreza que abrange uma parte dos alunos. Assim, a falta de perspectiva diante da pobreza que abrange gerações e da negligência do corpo social, muitos abandonam os estudos e se expõem a trabalhos informais e situações de miséria. Tal quadro não se restringe ao território brasileiro, visto que a UNICEF registrou aumento do trabalho infantil pela primeira vez em vinte anos, principalmente nas áreas rurais, com índices acima de 13%, quantificando em mais fatores a intervirem na atuação de profissionais das salas de aula na era de isolamento.

Portanto, para que os desafios expostos aos professores em tempos de quarentena é necessário que determinadas condições sejam atendidas. É preciso que o Ministério da Educação, em sinergia com os sindicatos, ampliem programas de qualificação direcionados ao uso de novas tecnologias na área educacional, intensificando o mapeamento das demandas específicas para proporcionar maior alcance e facilitar o trabalho de tais profissionais, além da intensificação do assistencialismo direcionado à estrutura física de estudo aos alunos, reduzindo a carga de trabalho e demanda diante de questões que vão além do que é direcionado ao professor, com melhora de sua qualidade de vida.