Os desafios dos professores em tempos de quarentena

Enviada em 28/07/2021

O poeta pós-modernista Manoel de Barros, desenvolveu em suas obras uma “Teologia do Traste”, cuja principal característica reside em dar valor às situações frequentemente esquecidas ou ignoradas. Seguindo a lógica barrosiana, faz-se preciso, portanto, valorizar também a problemática dos desafios dos professores em tempos de quarentena. Nesse sentido, a fim de mitigar os males relativos a essa temática, é importante analisar a falta de infraestrutura e a questão da sociabilidade na educação brasileira.

Convém ressaltar, a princípio, que o déficit de investimento governamental é um dos principais obstáculos enfrentados pelos docentes. De acordo com dados do Tesouro Nacional, atualmente o investimento em infraestrutura é baixo e configura-se como o menor em 10 anos. Dessa forma, com a quarentena, os professores receberam pouco apoio do Poder Público para a melhor adaptação e didática na execução da modalidade do ensino online. Assim, a priorização do dinheiro público em outros setores ou demandas mostrou-se um verdadeiro desafio para os lecionadores.

Outrossim, é igualmente preciso apontar a necessidade de socialização no ambiente educacional. Para entender tal apontamento, é justo relembrar a obra “Pedagogia da Autonomia”, do educador Paulo Freire, na medida em que ela destaca a importância das escolas em fomentar não só o conhecimento técnico-científico, mas também habilidades socioemocionais, como respeito e empatia. Sob essa ótica, pode-se destacar como mais um desafio dos professores a questão de conseguir integrar e socializar os alunos em ambiente virtual, enfatizando valores éticos e humanitários.

Logo, é necessário medidas estratégicas para alterar esse cenário.  Destarte, o Governo deve destinar mais verbas para investir na compra de equipamentos e fornecer cursos preparatórios aos professores. Isso pode ser feito por meio de consulta aos próprios educadores sobre as suas principais carências e propostas para melhorar a qualidade do ensino, a fim de que possam garantir não só o caráter conteudista, mas também o de formação de cidadãos preparados para as questões sociais do dia a dia. Assim, seria possível a concretização da máxima idealizada por Freire.