Os desafios dos professores em tempos de quarentena

Enviada em 29/07/2021

O atual mundo pandêmico, resultado do espalhamento do vírus SARS-cov2 no ano de 2020, sofreu transformações em todas as estruturas sociais, entre elas, na educação. Em virtude disso, os professores tiveram que adaptarem-se às restrições da quarentena e enfrentarem novos desafios, como a urgente reforma pedagógica e a dificuldade de equilibrar a vida pessoal com o trabalho.

Em primeiro lugar, é válido ressaltar que o ensino remoto exigiu dos professores uma rápida reformulação dos métodos pedagógicos. Baseado nisso, o fechamento temporário das instituições de educação, na pandemia, fez com que as aulas se tornassem virtuais. Com isso, muitos docentes que não manipulavam as ferramentas digitais de maneira complexa, tiveram que, não somente conhecer e utilizar as tecnologias diariamente, como também elaborarem, em um tempo limitado, novas propostas de ensino para os alunos, como aulas interativas, arquivos audiovisuais, e monitorias. Sendo assim, os desafios surgidos na pandemia atingiram diretamente os educadores que, compelidos a criarem estratégias inovadoras de aprendizagem, ao mesmo tempo que enfrentavam seus próprios empasses, consentiram com o pensamento do filósofo Friedrich Hegel, no qual afirmava que o ser humano é capaz de adaptar-se a qualquer condição que lhe é imposta.

Em segundo lugar, é notório que essas mudanças na educação dificultaram o equilíbrio entre a vida pessoal e a vida profissional dos professores. Nesse sentido, o sociólogo Karl Marx defende que o trabalho tem o poder de transformar o homem e aliená-lo. Paralelamente a isso, o home office, trabalho em casa, passou a ser a realidade de muitos educadores, devido às aulas remotas e às medidas de isolamento. Entretanto, a associação entre o lar e o trabalho provocou a fadiga de muitos docentes, pois, uma vez que a necessidade de adaptarem-se às novas ferramentas digitais induziu a realização de cursos de informática, e um maior tempo de preparo de aulas e atividades curriculares, as necessidades pessoais, como tempo de lazer e de descanso foram renunciadas, tornando-os, como analisou  Marx, alienados e constantemente ligados ao ofício.

Posto isso, é necessário demonstrar apoio aos professores, que enfrentaram desafios no atual período de quarentena. Para isso, o Ministério da Educação deve permitir o retorno somente dos educadores aos locais de trabalho, enviando equipamentos de proteção, como produtos de higienização, máscaras de qualidade e limite de indivíduos nas escolas, além de disponibilizar ferramentas digitais para a realização das aulas, fim de que o retorno ao ambiente de trabalho ajude os professores a equilibrar o descanso e o ofício, evitando o cansaço e o adoecimento deles.