Os desafios dos professores em tempos de quarentena
Enviada em 14/08/2021
No filme “Escritores da Liberdade”, é retratada a história de uma professora de escola pública, que enfrenta grandes desafios para trabalhar em meio a uma realidade social desfavorável. Não distante da ficção, no atual cenário brasileiro de pandemia do novo Coronavírus, observa-se a presença de obstáculos para a atuação dos docentes. Nesse contexto, vê-se que isso ocorre pela faltante ação do poder público e pelo falho papel da escola. Logo, é necessário o debate sobre o assunto.
Em primeira análise, constata-se a inação governamental frente à negativa relação entre educação e desigualdade social, em meio a quarentena. Segundo o Comitê Gestor de Internet no Brasil (CGI.br), 39% dos domicílios brasileiros não possuem conexão com a Internet. Nesse viés, o hodierno período de isolamento social impede que os professores promovam um ensino universalizado, em razão da falta de investimentos estatais em verbas e projetos destinados à inclusão digital de pessoas com deficiências financeiras, resultando em impasses para o estabelecimento de estratégias pedagógicas que abranjam todos os educandos, por exemplo, aulas virtuais, provocando a exclusão educacional e aumento da defasagem de aprendizado. Dessa forma, é inaceitável, que o governo desvie o foco desse problema.
Ademais, salienta-se a precariedade do apoio escolar, aos professores, em relação as alterações metodológicas, ocasionadas pelas medidas sociais adotadas no Brasil. De acordo com o filósofo Pierre Lévy, “toda nova tecnologia gera seus excluídos”. Nesse sentido, as dificuldades dos educadores em engajar os alunos e oferecer aulas atraentes, por meio das atividades remotas, ocorrem em virtude da não promoção de cursos de aperfeiçoamento em metodologias ativas no ensino virtual, aos professores, pelas instituições de ensino, gerando uma má adaptação da outrora rotina escolar, ao trabalho a distância, afetando negativamente o entusiasmo dos alunos. Assim, faz-se mister a reformulação dessa postura, urgentemente.
Portanto, é evidente que medidas devem ser tomadas para mitigar a questão. Desse modo, o governo brasileiro, por meio de incentivos financeiros oriundos do tesouro nacional, deve criar um projeto, em que sejam distribuídos tablets, de baixo custo, com chip de internet gratuita para alunos classificados como baixa renda, isto é, renda per capita de até meio salário mínimo, por família, devidamente matriculados em escolas públicas, com o intuito de amenizar esse problema no país. Simultaneamente, o Estado deve impor, aos gestores escolares, que promovam cursos, através de aulas virtuais, de capacitação em informática básica e métodos de engajamento do aluno no ensino digital. Feito isso, a “liberdade” da educação, será alcançada.