Os desafios enfrentados pelos catadores de materiais recicláveis no Brasil
Enviada em 22/09/2026
A invisibilidade social e a precarização do trabalho marcam a rotina dos catadores de materiais recicláveis no Brasil. Estimados em centenas de milhares em todo o território nacional, esses profissionais desempenham um papel fundamental na cadeia da sustentabilidade urbana e na economia circular, sendo responsáveis pela coleta de grande parte dos resíduos sólidos que retornam à indústria. Contudo, a relevância ambiental do seu ofício contrasta diretamente com a falta de reconhecimento, a baixa remuneração e a escassez de políticas públicas efetivas que garantam seus direitos fundamentais.
Um dos principais obstáculos vivenciados pela categoria é a ausência de infraestrutura adequada para a realização do trabalho. Sem equipamentos de proteção individual (EPIs), veículos apropriados ou centros de triagem estruturados, muitos catadores atuam expostos a agentes biológicos, produtos químicos e riscos de atropelamento nas vias públicas. Além disso, a dependência de intermediários na venda dos recicláveis reduz drasticamente a renda dos trabalhadores, que recebem valores irrisórios por tonelada recolhida, mantendo grande parte da classe em situação de extrema vulnerabilidade socioeconômica.
A implementação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), promulgada em 2010, representou um avanço legislativo ao prever a integração das cooperativas de catadores na gestão municipal do lixo. No entanto, a aplicação prática da lei permanece desacelerada na maioria dos municípios brasileiros. A falta de contratos firmados entre as prefeituras e as cooperativas impede que esses profissionais sejam remunerados pelo serviço prestado à sociedade, restringindo seus ganhos apenas à comercialização do material, o que perpetua a instabilidade financeira e a marginalização do grupo.
Superar esses desafios exige a ação conjunta do Estado e da sociedade civil, garantindo a aplicação da PNRS, parcerias municipais com remuneração justa para as cooperativas e investimentos em infraestrutura. Além disso, campanhas para a separação correta do lixo são fundamentais para assegurar a inclusão social e a dignidade desses trabalhadores.