Os desafios enfrentados pelos catadores de materiais recicláveis no Brasil
Enviada em 22/09/2026
No livro Quarto de Despejo, de Carolina Maria de Jesus, a autora relata a realidade de pessoas que vivem em situação de pobreza e marginalização, evidenciando a desigualdade presente na sociedade brasileira. De maneira semelhante, os catado-res de materiais recicláveis ainda enfrentam dificuldades relacionadas à precariza-ção do trabalho, à falta de reconhecimento e à vulnerabilidade social. Nesse sen-tido, a invisibilidade desses trabalhadores e a inércia estatal contribuem para a per-manência desse problema.
Sob esse viés, é imperioso ressaltar a falta de reconhecimento social enfrentada por essa profissão. Nesse sentido, a filósofa Hannah Arendt, em sua obra A Condi-ção Humana (1958), relaciona o conceito de “labor” às atividades necessárias à ma-nutenção da vida. Dessa forma, apesar de exercerem uma função essencial e contribuírem para a preservação dos espaços urbanos e rurais, sua importância ainda é pouco reconhecida pela sociedade, o que faz com que sejam frequente-mente associados à pobreza e à marginalização. Assim, essa desvalorização contri-bui para a invisibilidade social e para a precarização de suas condições de trabalho.
Ademais, destaca-se a inércia estatal diante das dificuldades enfrentadas pelos catadores. Nesse contexto, o filósofo John Rawls defende que as instituições sociais devem garantir condições justas e beneficiar os indivíduos em situação de maior vulnerabilidade. Entretanto, muitos desses profissionais trabalham sem equipa-mentos adequados de proteção, com baixa remuneração e pouca segurança, evi-denciando a insuficiência de medidas públicas voltadas à categoria. Dessa forma, a omissão do Estado contribui para a manutenção da precarização do trabalho e das desigualdades enfrentadas por essas pessoas.
Portanto, cabe ao Ministério do Trabalho e Emprego, em parceria com as prefeituras, ampliar políticas de inclusão dos catadores, por meio da formalização profissional, capacitação e distribuição de equipamentos de proteção. Assim como, o Ministério do Meio Ambiente, em parceria com as escolas, deve, por meio de palestras, promover campanhas de conscientização sobre a importância desses trabalhadores. Só assim, será possível contornar a realidade retratada por Carolina, reduzir a invisibilidade social e garantir condições mais dignas de trabalho.