Os desafios enfrentados pelos catadores de materiais recicláveis no Brasil

Enviada em 22/09/2026

A obra audiovisual “Quarto de Despejo”, baseada na realidade narrada por Carolina Maria de Jesus, é retratada a rotina de uma mulher em situação de vulnerabilidade, marcada pela desigualdade e pela falta de assistência pública. Apesar de fictícia, pode-se estabelecer relação entre a obra e a atual realidade brasileira, visto que ambas apresentam problemas relacionados à omissão estatal e à invisibilidade social. Nesse sentido, os desafios enfrentados pelos catadores de materiais recicláveis no Brasil são agravados pela insuficiência de políticas públicas e pela desvalorização desses profissionais.

Dado o exposto, a omissão estatal dificulta a garantia de melhores condições aos catadores, uma vez que a falta de medidas efetivas mantém a precarização da atividade. Nesse contexto, o sociólogo Boaventura de Sousa Santos, ao discutir o “colonialismo insidioso”, aponta para a permanência de estruturas que reproduzem desigualdades mesmo após o fim do colonialismo. Sob essa ótica, percebe-se que a ausência de ações públicas voltadas à categoria contribui para sua vulnerabilidade e dificulta o reconhecimento de seus direitos trabalhistas.

Ademais, a invisibilidade social também prejudica a valorização dos catadores, visto que sua importância para a sociedade é frequentemente ignorada. Nesse sentido, o acidente radioativo com o Césio-137, ocorrido em Goiânia, evidencia os riscos associados ao descarte inadequado de materiais, demonstrando a necessidade de maior atenção ao gerenciamento dos resíduos. Assim, ao serem pouco reconhecidos, os catadores têm sua contribuição ambiental desvalorizada, apesar de atuarem diretamente na redução do lixo e no reaproveitamento de materiais.

Portanto, cabe ao Ministério do Trabalho, em parceria com as prefeituras, ampliar a proteção aos catadores, por meio da fiscalização e da oferta de equipamentos adequados, a fim de garantir segurança à categoria. Além disso, o Ministério do Meio Ambiente deve promover campanhas nas escolas e mídias sobre a importância desses profissionais, com o objetivo de combater sua invisibilidade social.