Os desafios enfrentados pelos catadores de materiais recicláveis no Brasil
Enviada em 13/10/2021
“O importante não é viver, mas viver bem.” Segundo Platão, importante filósofo grego, a qualidade de vida possui tamanha importância que ultrapassa a própria existência. Entretanto, no Brasil, uma parcela significativa da população de catadores de materiais recicláveis enfrenta os desafios impostos pela profissão. Nesse sentido, a insuficiência legislativa relacionada ao tratamento de resíduos sólidos e a má influência midiática que fomenta a propagação de um estereótipo sobre os que sobrevivem da reciclagem colaboram para a consolidação da problemática.
Convém ressaltar, a princípio, a insuficiência legislativa relacionada ao tratamento de resíduos sólidos como um dos fatores que consolidaram o problema. De acordo com o Plano Nacional de Resíduos Sólidos lançado em 2010, todas as cidades brasileiras deveriam criar a coleta seletiva com o objetivo de estimular a criação de empregos e salários dignos para a profissão de catadores de materiais recicláveis. No entanto, hodiernamente, tal plano não foi cumprido e os profissionais que dependem dele continuam desamparados legislativamente. Dessa forma, há uma lacuna no dever do Estado em promover a manutenção da igualdade entre os membros da sociedade, o que expõe os catadores de materiais recicláveis a uma condição de ainda maior exclusão e desrespeito.
Outro ponto relevante nessa temática é a má influência midiática que colabora na propagação de um estereótipo equivocado sobre os catadores de material reciclado. Conforme Pierre Bourdieu, aquilo que foi criado como instrumento da democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Todavia, a mídia não cumpre com o seu papel social e democrático, uma vez que, ao invés de fomentar debates que elevem o nível informacional da sociedade a respeito da profissão de catador de material reciclável, contribui para a permanência do estigma ligado aos que sobrevivem da reciclagem, como é apresentado na reportagem de título: acham que a gente é lixo, da BBC Brasil. Dessa maneira, as mídias criam uma lacuna entre a sociedade e o catador.
Portanto, faz-se necessária uma intervenção no que tange à má influência midiática. Assim, o Ministério da Cidadania, em conjunto com ONGs especializadas, deve desenvolver ações que visem a propor uma solução para a má influência midiática. Tais ações devem ocorrer nas redes sociais por meio da elaboração de vídeos que comparem o tratamento que a mídia fornece sobre o assunto com relatos de pessoas que de fato vivenciaram a problemática. É possível, também, a criação de uma “hashtag” para dar visibilidade a campanha, a fim de mitigar os problemas provocados pela má influência midiática. Além disso, o Governo Federal deve criar novas leis que solucione o problema da insuficiência legislativa. Assim, será possível construir um país do qual Platão pudesse se orgulhar.