Os desafios enfrentados pelos catadores de materiais recicláveis no Brasil

Enviada em 14/10/2021

Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), a reciclagem é um dos objetivos de desenvolvimento sustentável para o século XXI. Isto é, torna-se obrigação dos países que integram a organização estimular a reciclagem em seu território, de maneira que mostra-se a importância dos catadores de materiais dessa natureza. Entretanto, no Brasil, esses trabalhadores enfrentam dois grandes desafios: a falta de estabilidade financeira e o preconceito.

Primordialmente, cabe mencionar os dados revelados pela Cáritas do Brasil, segundo os quais há mais de 500 mil catadores atuando no país. Além disso, é informado que seus pagamentos vêm do valor que as peças coletadas possuem, de maneira que tais trabalhadores não apresentam salário fixo. Assim, é importante aludir ao que diz o sociólogo Karl Marx, escritor do “Manifesto do Partido Comunista”. Consoante tal pensador, a remuneração baixa de determinados empregos contribui para a precarização destes, e apresenta-se como injusta na maioria das vezes, pois o labor é realizado por horas, e não se obtém a devida recompensa. Logo, faz-se evidente que a insegurança salarial pode pressionar os catadores a buscar outras profissões, a fim de garantir seu sustento, e muitos não possuem um padrão de vida adequado para o ser humano.

Adicionalmente, convém citar o pensamento de Friedrich Engels, que trabalhou junto a Karl Marx na escrita do manifesto. De acordo com Engels, as classes dominantes controlam, também, o âmbito espiritual e ideológico da vida dos cidadãos. Em outras palavras, no capitalismo, a burguesia cria narrativas para justificar a exploração de alguns e contribui para o desenvolvimento do preconceito em relação a certos setores sociais. Consequentemente, indivíduos que trabalham com a coleta de material reciclável serão vistos como inferiores e incultos, o que os põe em risco de sofrer segregação, onde quer que estejam. Então, põe-se que a discriminação é um desafio que tanto os catadores, quanto os constituintes da sociedade, devem enfrentar.

Em conclusão, tem-se que o Ministério do Trabalho deve estimular a atuação dos coletadores de material reciclável. Isso pode ser feito por meio do estabelecimento de um salário fixo, acima do salário mínimo, a fim de que tais cidadãos possam combater a instabilidade financeira e perseguir suas carreiras, sem temer a miséria. Ademais, é preciso que o Governo Federal lute contra a discriminação que esses trabalhadores sofrem. Isso pode ser realizado por intermédio da execução de palestras, a nível nacional, ministradas por catadores e profissionais em economia, nas quais seja exposta a importância da profissão para o país e para o desenvolvimento sustentável, conforme diz a ONU. Dessa forma, todos poderão praticar suas habilidades sem medo do preconceito.