Os desafios enfrentados pelos catadores de materiais recicláveis no Brasil

Enviada em 15/10/2021

É inegável o papel fundamental da reciclagem para o mundo atual, que busca, cada vez mais, um modelo global de desenvolvimento sustentável. Por um lado, há um grande estímulo a reutilização de recursos materiais, de modo a garantir que a natureza consiga atender tanto a geração atual, como as gerações do futuro. Por outro lado, há um grande descasso, tanto do poder público como da sociedade, com aqueles que são essenciais nessa missão de tornar o globo autossuficiente: os catadores de materiais recicláveis. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim de mitigar o desamparo social por parte do governo e a discriminação da sociedade com os catadores.

Em primeira análise, vale ressaltar que a discriminação no Brasil é algo crônico que atinge sempre um grupo minoritário ou desamparado socialmente, como se observa desde o período colonial no século XVI até os dias atuais, com o preconceito em relação as pessoas que tiram do lixo o seu sustento. Posto isso, as consequências desse cenário são desanimadoras, pois uma função tão importante em termos ambientais e econômicos está sendo desestimulada com o passar dos anos, pois o risco da profissão, como a saúde por manusear materiais tóxicos, associado com a discriminação faz com que mais catadores busquem outras alternativas de trabalho. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa realidade, mostrando para a sociedade não só a importância de reciclar, mas também, o quão fundamental é o papel do catador, valorizando o indivíduo e a sua profissão.

Ademais, o fato de ainda haver um grande número de indivíduos autônomos em uma profissão que, segundo dados do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR), conta com mais de 800 mil profissionais mostra o quanto ainda o Governo Federal é falho em buscar cadastrar esses profissioanais e estimular a ação das cooperativas, de modo a fornecer uma estrutura maior a esses trabalhadores, tanto em termos de material de serviço como em termos sociais e financeiros.

Com isso, nota-se que uma ação social e educativa faz-se necessária. Assim, cabe ao Estado, com o apoio do Ministério do Meio Ambiente, incentivar através de subsídios financeiros a criação e o fortalecimento de cooperativas para que elas possam dar um maior suporte financeiro aos catadores, além de uma estrutura que possa fornecer refeições dignas e tratamento de saúde para esses profissionais. Somado a isso, uma ação educativa sobre a importância do catador para a reciclagem do lixo urbano veiculada em todos as mídias deve ser feita de modo celere, com o objetivo de mostrar a sociedade que atrás daquela carroça de lixo há um brasileiro como todos os outros. Só assim, a superação desses desafios trará dignidade e um melhor retorno financeiro para esses profissionais.