Os desafios enfrentados pelos catadores de materiais recicláveis no Brasil
Enviada em 20/10/2021
A catação de materiais recicláveis foi legalmente reconhecida como profissão em 2002 pelo Ministério do Trabalho, órgão inexistente na atualidade, todavia, a classe permanece marginalizada no Brasil, seja no âmbito político ou social. Logo, os catadores enfrentam diversos desafios no território brasileiro, dentre eles, a baixa remuneração, agravada capitalismo, e a desvalorização social dada a um trabalho de extrema importância no cotidiano das regiões urbanas brasileiras.
Em primeiro lugar, é notório que o capitalismo – modelo consagrado no século XVIII proporcionado pelos avanços científicos e tecnológicos, que visa o lucro monetário acima de qualquer preceito – está inserido nos hábitos dos brasileiros, por possuir grandes metrópoles e, consequentemente, seguir o sistema capitalista. Ademais, os catadores de dejetos recicláveis são mediadores da obtenção desses produtos pelas grandes indústrias, pois os mesmos: recolhem os materiais, separam por categorias, higienizam e direcionam para o reaproveitamento. Porém, as grandes corporações, que necessitam dos objetos recicláveis, oferecem um valor desproporcional ao serviço dos catadores, visto que, os mesmos são expostos diariamente a perigos de contaminação e trabalham por horas. Assim, cabe às articulações dos poderes padronizarem os salários visando os esforços e condições dos envolvidos.
Convém ressaltar, também, o pensamento de Émile Durkheim, filósofo francês, o qual disserta: que um indivíduo só poderá agir de determinada forma se o mesmo for inserido ao contexto e conhece-lo, considerando saber suas origens e fatores dependentes. Ou seja, os profissionais que recolhem materiais recicláveis só serão valorizados quando a sociedade reconhecer sua importância para a saúde e sustentabilidade. Em síntese, para que o reconhecimento da classe ocorra é de suma importância, que haja um sentimento de empatia e que a população passe a separar os materiais em classe (Exemplo: resíduo orgânico, plástico, vidros, etc.) e alertar na embalagem quando o descarte oferecer risco aos catadores - lixos hospitalares, materiais cortantes.
Diante dos argumentos supracitados, por fim, é imperioso que o Governo Federal em adição ao Ministério da Economia elaborarem uma planilha de salários justos para os catadores de materiais recicláveis. Por conseguinte, é importante para a regularização do processo a disponibilidade de agentes em cada cidade brasileira, por intermédio das secretarias municipais, para fiscalizar e relatar: a quantidade de prestadores de serviço da área, empresar a quem fornecem os objetos recicláveis e quantidades; para que assim possa elaborar uma ficha de dados e solicitar das empresas os dados de lucros em cima dos produtos recicláveis para o repasse dos valores, a fim de adquirir dignidade no segmento de grande utilidade para o cotidiano da sociedade brasileira.