Os desafios enfrentados pelos catadores de materiais recicláveis no Brasil

Enviada em 15/10/2021

O filme brasileiro “Catadores de história”, mostra o cotidiano de catadores de materiais recicláveis que tiram seu sustento do que a sociedade descarta e chama de “lixo”. Essa obra, desvenda a multifacetada realidade desses profissionais que, apesar de condições sub-humanas de trabalho, conseguem dar exemplo de dignidade e cidadania. Fora das telinhas, a vida de muitos brasileiros, assemelha-se a vida das “estrelas do mundo real” contada no longa e, principalmente, compartilham dos mesmos desafios no exercício de sua atividade: riscos a saúde e preconceito. Dessa forma, é imperioso que essa chaga social seja resolvida.

Primeiramente, deve-se reconhecer que durante a manipulação do lixo, os trabalhadores podem se expor a agentes de risco com potencial de afetar sua saúde e integridade física. Nesse sentido, artigo publicado pela Revista Brasileira de Epidemiologia, evidenciou que um total de 55,5% dos catadores da região de Brasília já se acidentaram no trabalho. Além disso, a ausência de equipamentos de proteção individual (EPI’s) - fator essencial na proteção contra agentes químicos, físicos ou biológicos - é o principal fator desencadeante do acidente, conforme afirmado pelo mesmo artigo. A partir dessa análise, infere-se que o descarte adequado do lixo juntamente com políticas de distribuição de EPI’s são as principais medidas no que tange aos cuidados com indivíduos que reciclam.

Ademais, a inferiorização associada a esses indivíduos revela uma estigmatização da profissão. Sob essa ótica, a obra “Quarto de Despejo”, de Carolina Maria de Jesus, apontam ao leitor as particularidades de uma família chefiada por uma catadora, a própria Carolina,  e mostra como situações constrangedoras de inferiorização e preconceito fazem parte do cotidiano.  Apesar de ter sido escrito no século passado, o Brasil ainda está repleto de “Carolinas”, que precisam dia após dia conviver com a marginalização e em situação de vulnerabilidade social.

Portanto, visto os desafios enfrentados pelos catadores de materiais recicláveis, são necessárias medidas para combatê-las. Diante do exposto, o Ministério do Trabalho, órgão reponsável por gerir demandas no setores ocupacionais, precisa disseminar práticas adequadas de manuseio do material reciclável por meio de ações sociais em locais de maior concentração de profissionais dessa área, incluindo autônomos, distribuindo equipamentos de proteção e palestras com linguagem popular sobre agentes de risco nessa área com objetivo de diminuir acidentes de trabalho. Além disso, há necessidade de debate sobre o assunto para o fim da estigmatização. Mediante a essas ações concretas, a execução de uma profissão tão importante, deixará de ser tão díficil como foi para Carolina.