Os desafios enfrentados pelos catadores de materiais recicláveis no Brasil
Enviada em 17/10/2021
De acordo com dados divulgados pelo Movimento Nacional dos Catadores Recicláveis, há 800 mil trabalhadores no setor brasileiro de reciclagem. No entanto, apesar de representarem um elevado número de pessoas, é notório que, no Brasil, esses não recebem a devida valorzação, o que os leva a enfrentarem diversos desafios todos os dias. Nesse sentido, percebe-se a configuração de um problema de contornos específicos, em virtude da falta de infraestrutura e do silenciamento social.
Convém analisar, a princípio, que a escassez de uma infraestrutura necessária é um dos fatores que impedem a efetiva valorização desse trabalhador. Nesse contexto, Hannah Arendt defende que o espaço público deve ser preservado para que se assegurem as condições para a manutenção da liberdade e prática da cidadania. Assim, sem o aporte estrutural necessário para a realização de forma digna do ofício dos catadores de lixo, esses cidadãos serão prejudicadas. Logo, com base na lógica da filósofa alemã, é possível afirmar que a construção de unidades de coleta, em quantidades proporcionais ao tamanho das cidades, implicaria em significativa melhora na qualidade de vida desses indivíduos, uma vez que não mais precisariam se expor aos perigos da rua e às condições insalubres dos lixões e aterros sanitários.
Ademais, vale ressaltar que a falta de debate acerca da atual situação dos catadores de materias recicláveis é outro contribuinte para a negligência que afeta esses trabalhadores. Nesse panorama, Jurgen Habermas traz uma contribuição relevante ao defender que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Sob esse prisma, seguindo o raciocínio do filósofo frankfurtiano, é correto dizer que, não raro, a população descarta o lixo doméstico de forma irresponsável, pois não tem o conhecimento de que pessoas dependem desses materias como única ou complementar renda familiar. Desse modo, é imperativo afirmar que, se levada à pauta e amplamente debatida, a questão dos desafios enfrentados por esses servidores poderia ser atenuada, haja vista que a comunidade entenderia que ambas as partes são beneficiadas com a reciclagem do lixo.
Urge, portanto, que medidas estratégicas sejam tomadas para alterar esse cenário. Para isso, é imprescindívil que os governos estaduais, em parceria com as prefeituras, focalizem o investimento para a resolução de problemas como as dificuldades dos catadores, por meio de uma maior destinação dos impostos estaduais arrecadados. Tal investimento se dará com a construção, nos pontos estratégicos das cidades, de centros de coleta que permitam que os indivíduos possam descartar o lixo da maneira correta, seguindo a política de separação, de acordo com o tipo de material. Havendo a verba necessária para a construção das unidades, espera=se que o impasse seja elucidado.