Os desafios enfrentados pelos catadores de materiais recicláveis no Brasil
Enviada em 21/10/2021
Franklin Rooselvet, ex presidente dos Estados Unidos, afirma em sua fala que a prova do progresso não é se aumentamos a abundância dos que têm muito, mas sim se providenciamos o suficiente para os que pouco possuem. Em vista disso, convém depreender a questão dos desafios enfrentados pelos catadores de materiais recicláveis no país que, fatidicamente, perduram devido à inércia social e a falta de visibilidade do tema.
Em primeiro lugar é lícito afirmar que a falta de mobilização popular é um fator agravante para a problemática. Nesse viés, segundo o literato português José Saramago, no romance “Ensaio Sobre a Cegueira”, o comportamento negligente por parte da população em não se mobilizar para exigir dos órgãos públicos pontos de coleta especializados para facilitar a coleta dos materiais e subsídios que fortaleçam a cooperativa dos catadores, é definido como “Eclipse de Consciência”, ou seja, a ausência de sensibilidade frente as mazelas sociais enfrentadas pelo próximo, nesse caso os desafios enfrentados pelos catadores de material reciclável. Por conseguinte, considerável parcela da população fomenta a invisibilização do imbróglio em evidência e a manutenção dessa situação maléfica.
Outrossim, é imperativo destacar a falta de abordagem do tema como um dos fatores que validam a sua persistência. Diante disso, de acordo com o conceito de “Ação Comunicativa”, definido pelo filósofo Jurgen Habermas, para que as pessoas tenham capacidade de defender os seus interesses e demonstrar o que acha melhor para a comunidade, ela precisa obter ampla informação prévia sobre o assunto. Assim, a carência de espaço midiático voltado para as dificuldades enfrentadas pelos catadores no país vigora como um empecilho para a solução do óbice, pois, compromete a tomada de ação da população, haja vista que esta só tomará partido para a solução do infortúnio mediante ao conhecimento detalhado da problemática, como causas e caminhos para erradicação. Portanto, deve-se fixar ações a fim de diminuir a falta de visibilidade do tema.
Urge, pois, que medidas sejam tomadas com o intuito de coibir o problema discorrido. Assim, faz-se necessária a ação do Estado destinando verba para subsidiar a implantação de pontos de coleta seletiva, para facilitar o trabalho do catador e também humanizá-lo, haja vista que tais pontos manterão os trabalhadores longe de ambientes insalubres como lixões, que além de oferecerem riscos à saúde do profissional, também estimulam o estigma social associado a esses. Paralelo a isso, é necessário realizar a criação de peças publicitárias, que sejam veiculadas nas mídias sociais, abordando a importância do tema, conscientizando os cidadãos de que a sua participação exerce papel fundamental na solução dos problemas sociais. Assim, o país reduzirá as dificuldades enfrentadas pelos catadores.