Os desafios enfrentados pelos catadores de materiais recicláveis no Brasil

Enviada em 06/11/2021

Conforme a primeira lei de Newton, um corpo tende a permanecer em seu movimento até que uma força atue sobre ele, mudando-o de percurso. Nessa perspectiva, em alusão ao corpo social brasileiro, por mais que a infraestrutura local seja responsável pelo aparato dos materiais recicláveis, ainda assim existem obstáculos a serem superados, uma vez que grande número de catadores administra esse serviço e de forma precária. Com isso, ao invés de funcionar como a força capaz de reverter essa situação, os desafios a respeito da falta de amparo com esses trabalhadores, bem como a desvalorização pelos órgãos públicos acabam por contribuir com a situação atual.

Em primeira análise, durante a Revolução Industrial, as pessoas trabalhavam nas fábricas em péssimas condições, sem direitos, por longas jornadas e em troca de salários baixíssimos. Desse modo, percebe-se que apesar dos avanços, algumas coisas permanecem parecidas, haja vista que os catadores de matérias reciclados não recebem nenhum amparo e ainda são tratados como pessoas sujas. No entanto, são responsáveis por quase 90% do lixo reciclado, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. Logo, é preciso intervir na qualidade de vida dessas pessoas, para que esse trabalho ajude na rentabilidade digna e proteção contra a insalubridade, fome, doenças e miséria.

Sob um segundo enfoque, na obra “A Cidade do Sol”, do escritor italiano Tommaso Campanella, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social se padroniza pela ausência de conflitos. Porém, é notório que essa harmonia está longe de caracterizar a realidade atual. A princípio, sabe-se que pessoas que se encontram na condição de catadores podem ter vindo de uma família de baixa renda e, por isso, escolhem fazer parte dessa iniciativa de catar, separar e vender, mesmo com as dificuldades enfrentadas, como sobrecarga, sol, chuva e grande desvalorização. Por isso, é preciso que a gestão pública proponha mudanças efetivas, a fim de amenizar os impasses.

Portanto, fica evidente a necessidade de medidas que realizem a mudança do percurso. Para isso, urge que o Ministério da Justiça crie, por meio de verbas governamentais, projetos no Comitê de Segurança, sendo administrados por órgãos sociais, para que seja imposto amparo a essas pessoas, como a disponibilidade dos materiais adequados, como carrinho e luvas, além de melhorar o preço pago, a fim de qualificar esse profissional e estender as oportunidades. Somente assim, será possível a mudança do percurso, de modo que garanta a perspectiva de um mundo melhor.