Os desafios enfrentados pelos catadores de materiais recicláveis no Brasil
Enviada em 27/10/2021
Marx, em sua teoria sobre as classes, diz que o proletário é a pessoa que vende sua força de trabalho em troca do capital. Geralmente, a um valor abaixo do merecido e em condições de trabalho que não seriam as ideais. No Brasil, assim como no mundo, a tese marxista se aplica de inúmeras maneiras. Os catadores de materias recicláveis brasileiros, como exemplo, enfrentam diariamente uma problemática de receberem valores abaixo do devido além de trabalharem em condições que colocam em risco suas saúdes.
Em primeiro lugar, os catadores de recicláveis, por pertencerem a uma profissão excluída do rol consumista e capitalista altamente lucrativo, tornam-se invisíveis a sociedade. Como retrata Adam Smith sobre a economia liberal, o mercado controla os preços. Nesse âmbito, os catadores, ocultos à sociedade e sob um mercado subestimado, recebem valores inferiores ao merecido. Como exemplo, ilustra-se o preço do quilograma do alumíno: em torno de 6 reais. Valor abaixo a uma lata de refrigerante de 350ml que custa em torno de 3 reais. Assim, o baixo valor recebido pelos profissionais catadores de recicláveis inviabilizam o crescimento de uma das profissões essências ao mundo globalizado de hoje.
Em segunda analise, esses profissionais enfrentam diariamente riscos às suas saúdes. Trabalham várias vezes em climas extremos; carregam pesos excessivos ao puxar seus carros; além de correrem riscos de infectarem-se pelo contato de materiais contaminados. A Constituição de 1988, no entanto, atesta que todo ser humano deve ter condições dignas de trabalho. Os catadores, na lei, deveriam ser amparado pelo Estado. Mas não é o que se observa. Toma-se, como exemplo, as precárias condições vistas nas ruas da maioria desses trabalhadores. Portanto, os catadores, por diversas vezes, correm risco de terem suas saúdes degradas, o que desestimula e causa o risco de depreciação desses trabalhadores que devem ser dignos como todos.
Dessa forma, os desafios enfrentados pelos catadores de matérias recicláveis perpassam pela ótica de um trabalho mal remunerado aliado ao risco constante de apresentarem prejuízos às suas saúdes. O Estado brasileiro, assim, através do Legislativo, deveria criar leis de conscientização com o instuito de aumentar a visibilidade sobre a importância da reciclagem. Com isso, estimularia um maior número empresas a dar mais importância a esse setor, o que impulsionaria contratações e, consequentemente, maiores salários e melhores condições para os catadores de matérias recicláveis. Nesse âmbito, melhoraria toda a sociedade, pois, sem a reciclagem, tanto a natureza como a vida social seriam mais poluídas e desiguais.