Os desafios enfrentados pelos catadores de materiais recicláveis no Brasil

Enviada em 04/11/2021

Em Atenas, na maratona olímpica, durante as Olímpiadas de 2004, o brasileiro Vanderlei Cordeiro de Lima liderava a prova até os quilometros finais, contudo foi empurrado para fora do percurso por um padre irlândes, lhe custando liderança da prova. Embora, muitos esperassem uma reação de ódio do maratonista, o mesmo exibiu dignidade, alegria e esperança. Hodiernamente, sua história se assemelha a de muitos catadores de materiais recicláveis no Brasil, que infelizmente, são impedidos de vencerem a grande maratona da vida pela ausência de valorização do seu trabalho e o preconceito fruto de uma sociedade ainda imatura.

A priori, destacasse a falta de valorização do trabalho realizado pelos catadores de materais recicláveis no Brasil. Porquanto, a labuta desses trabalhadores passa despercebida pelo agentes sociais ou não recebe a atenção necessária, ocasionando péssimas condições trabalhistas. Sob esse prisma, exemplifica a Teoria das Insituições Zumbis, do sociólogo Zygmunt Bauman, na qual descreve a presença de esferas de poder inoperantes na sociedade e que não cumprem o seu dever de forma eficaz. Sendo assim, se torna um desafio realizar a reciclagem de materais no Brasil, sem um devido alento das esferas públicas.

Somado a esta problemática, esses trabalhadores são submetidos a diversas situações preconceituosas no meio social. Substancialmente, o senso comum classificá-os, de forma errônea,  como preguiçosos, sujos e sem importância economica, formando um juízo de valor imaturo, superfícial e excludente. Nesse ínterim, em seu livro, ‘‘Por Uma Outra Globalização’’ o geógrafo brasileiro Milton Santos descreve as desigualdades do ambiente social como resultado do medo do desconhecido e um senso coletivo de exclusão ao diferente. Em suma, o preconceito se torna mais um desafio enfrentado pelos catadores de materiais reciclaveis no Brasil.

Em síntese, a inoperância das esferas públicas e o preconceito do senso comum, são verdadeiros desafios que dificultam o exercício dos catadores de materais recicláveis no Brasil, perante ao exposto, medidas devem ser tomadas para mitigar tais entraves. É dever do Governo Federal, em parceria com as esferas municipais das cidades brasileiras e através do Ministério da Educação e Secretarias de Educação Regionais, convidar esses trabalhadores para dar palestras em escolas, universidades e demais instituições públicas, contando as suas vivências e importância da profissão para o meio ambiente, desconstruindo um juízo social de preconceito, a fim de que a sociedade mude respeite o trabalho realizado por esses trabalhadores, transformando assim as suas realidades. De forma, que consigam vencer a ‘‘maratona de Atenas’’ com alegria, dignidade e solidariedade.