Os desafios enfrentados pelos catadores de materiais recicláveis no Brasil

Enviada em 07/11/2021

“A humanidade está serrando o galho em que está sentada”. A partir dessa premissa de Paul Ehrlich - pesquisador de Stanford -, nota-se que o homem degrada, cada vez mais, o meio em que vive e a necessidade de agentes que busquem amenizar a poluição ambiental. Nesse contexto, surge a magnitude dos catadores de materiais recicláveis no Brasil, os quais enfrentam desafios como a vulnerabilidade e a negligência social. São prementes, pois, estratégias para valorizar os profissionais que catam lixo, em nome da preservação ambiental.

É coerente ressaltar, em primeira instância, os obstáculos, tais como a vulnerabilidade, dos coletores de dejetos reutilizáveis. Nesse sentido, o artigo 225 da Constituição Federal afirma ser dever do Estado e da sociedade os cuidados com o meio ambiente. De forma a consagrar a Carta Magna brasileira, os catadores de lixo, por meio do seu labor diário, limpam as cidades e promovem a reciclagem. Em contrapartida, enfrentam locais de trabalho insalubres e sem o devido equipamento, fato que os torna vulneráveis a agentes tóxicos presentes nos resíduos coletados. Assim, muitos profissionais de coleta podem desenvolver doenças e sofrer acidentes no meio trabalhista ao manusear o lixo.

Em segunda análise, vale destacar a negligência social como um infeliz dificultador da práxis de coletar lixos recicláveis. Nesse viés, em 2015, o Brasil assinou o “Acordo de Paris”, comprometendo-se, internacionalmente, a preservar o meio ambiente para diminuir a emissão de gases poluentes. Entretanto, a sociedade brasileira não se mobiliza em prol dos cuidados com o meio ambiente ao negligenciar o trabalho dos catadores de dejetos. Nesse cenário, muitos não realizam a coleta seletiva em casa e jogam o lixo no local errado em espaços públicos que possuem lixos separados para cada material. Logo, por meio de ações irresponsáveis da sociedade, o trabalho dos coletores de lixo recicláveis é prejudicado.

Infere-se, portanto, a relevância dos coletores de lixo reciclável no Brasil, os quais enfrentam obstáculos como a vulnerabilidade e a negligência social. Desse modo, é imperioso que o Ministério do Meio Ambiente promova seminários educativos, em suas plataformas digitais, por meio de mesas redondas e palestras, com agentes ambientais e catadores de dejetos, acerca dos desafios do labor de coletar itens recicláveis e de orientações para colaborar com a coleta seletiva, com o fito de suscitar o senso crítico e de coletividade nos brasileiros, para que possam tornar-se protagonistas dos cuidados ambientais e com os agentes que limpam o meio ambiente. Dessa forma, a premissa de Paul Ehrlich poderá ser refutada e o meio ambiente, preservado.