Os desafios enfrentados pelos catadores de materiais recicláveis no Brasil

Enviada em 08/11/2021

A realidade dos catadores de materiais recicláveis no Brasil é alarmante pois muitos destes trabalhadores são trabalhadores informais, autonômos, e não têm muita consciência dos riscos diários que assumem para ganharem o mínimo necessário para sobreviverem. Os riscos relativos à saúde como os riscos à doenças respiratórias e infecciosas, e os riscos inerentes à ergonomia do trabalho se engabelam ao fato de que nem todas as profissões, nem mesmo as essenciais, são valorizadas no país.

Segundo dados levantados pelo Movimento Nacional dos Catadores de materiais Recicláveis (MNCR), dos 800 mil catadores em atividade no Brasil, pouco mais de 10% somente são associados ao movimento nacional. Sem que passem por qualquer tipo de treinamento, sem que consigam trabalhar com E.P.I.s (equipamento de proteção individual) adequadas, trabalhando exaustivamente para poderem somente ter o que comer, o desespero pela sobrevivência é fator auto motivante, talvez o único, para que esses trabalhadores, quase sempre em condições desumanas, às vezes com filhos para sustentarem,  acordem todos os dias dispostos a trabalharem.

Tal revelia ainda é corroborada pela falta de senso da população, que ao menos se preocupa em fazer a separação adequada dos resíduos sólidos que geram. A falta de empatia e a cultura milenar do brasileiro em se preocupar apenas no que tange o seu próprio quintal, o que passa disso é problema do outro, acaba intensificando o problema.

É necessário que haja, portanto, por parte dos órgãos executivos municipais, um programa de conscientização para que a prática salutar da coleta seletiva se torne um hábito nacional. Além disso, poderia também haver uma parceria público-privada, diante de benefícios tributários, empresas privadas, principalmente as do setor alimentício, seriam encubidas de acolher, por meio de treinamentos, melhores condições de trabalho e salários mais justos , os catadores de rua, promovendo, desta forma, uma economia circular mais saudável, em todos os sentidos.