Os desafios enfrentados pelos catadores de materiais recicláveis no Brasil
Enviada em 23/11/2021
O quadro expressionista “O grito”, do pintor norueguês Edvard Munch, retrata a inquietude, o medo e a desesperança refletidos no semblante de um personagem envolto por uma atmosfera de profunda desolação. Para além da obra, observa-se que, na conjuntura brasileira contemporânea, o sentimento de milhares de indivíduos assolados pela forma de sobrevivência de catadores de materiais recicláveis é amiudadamente, semelhante ao ilustrado pelo artista. Nesse viés, torna-se crucial analisar as causas desse revés, dentre as quais se destacam a negligência governamental e a possível falta de oportunidades.
A princípio, é imperioso notar que a indiligência do Estado potencializa a vida de pessoas que dependem somente dessa renda. Esse contexto de inoperância das esferas de poder exemplifica a teoria das Instituições Zumbis, do sociólogo Zygmunt Bauman, que as descreve como presentes na sociedade, todavia, sem cumprirem sua função social com eficácia. Sob essa ótica, devido á baixa atuação das autoridades, notasse que geralmente são pessoas de baixo nível hierárquico na sociedade, tendo em vista que 92% dos catadores tem como principal renda familiar a catação, sabendo-se que muitos deles já podem ser de idade avançada, sofrendo assim também discriminação. Nessa perspectiva, para a completa refutação da teoria do estudioso polonês e mudança dessa realidade, faz-se imprescindível uma intervenção estatal.
Outrossim, é igualmente preciso apontar o fato de que o esforço físico feito nesse trabalho, e por muitos dos resíduos estarem misturados, podendo causar problemas de saúde, ocasionando em superlotação em hospitais públicos como outro fator que contribui para a manutenção desses desafios para os catadores de materiais. Posto isso, de acordo com o livro “Quarto de Despejo” que conta a história da vida de uma moradora em uma favela de São Paulo, que trabalha como catadora de papel, vemos o relato do cotidiano da mesma como a forma que ela tem de sobreviver e cuidar de sua familía, sabendo-se que tal coisa foi escrita na década de 1950. Diante de tal exposto, percebe-se que já é um fator contribuinte para que se arraste até nosso cenário atual. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.
Portanto, são necessárias medidas capazes de mitigar tal tribulação. Dessarte, a fim de contribuir para melhor formação de valores e oportunidades, é preciso que o governo - por intermédio das autoridades - venha dar mais atenção a essas pessoas. Espera-se, assim, que os sofrimentos emocionais retratados por Munch delimitem-se apenas ao plano artístico.