Os desafios enfrentados pelos catadores de materiais recicláveis no Brasil

Enviada em 28/02/2022

Na animação Wall-e, é representada uma sociedade pós-apocalíptica, na qual os seres humanos vivem em espacionaves, devido a alta toxicidade da Terra, causada pelo acúmulo de lixo e poluição. Infelizmente, semelhante à realidade brasileira, o descaso socioestatal em relação ao lixo e aos catadores dificulta cada vez mais o trabalho desses profissionais. Dessa forma, é válido discutir não só a invisibilidade governamental desses indivíduos, mas também a incapacidade do ensino ambiental no país.

Nesse sentido, de acordo com o documentário “As Recicláveis”, a terceirização do serviço das corporativas de resíduos acarreta na distribuição de baixos salários aos catadores. Nessa conjuntura, com o pouco pagamento recebido, esses indivíduos vivem em codições insalubres, tendo que comer até do lixo, pois não conseguem sustentar suas famílias com o pouco que ganham. Como, por exemplo, ocorreu no Lixão de Aguazinha, em Olinda, no qual crianças ficaram extremamente doentes após ingerirem carne humana presentes nos entulhos.

Ademais, a falha educação socioambiental brasileira permite que mesmo com discuções como colétas seletivas e sustentabilidade nas escolas, esses discursos não passam do plano teórico, pois a separação de materiais descartáveis no Brasil ainda é rara. Dessa forma, esses resíduos tornam-se inviáveis para a reciclagem sendo, assim, poluição. E, por fim, o ensino deixa de exercer o seu objetivo descrito no Artigo 205 da Constituição, na qual a Escola tem o dever de preparar o aluno para vida em sociedade, dado que não ocorre pela falta de um ensino ecológico efetivo.

Portanto, é preciso melhorar as condições dos profissionais do lixo no Brasil. E para isso é necessário que o Ministério do Trabalho exija o pagamento de salário mínimo aos catadores, por meio de sanções sobre às corporativas, a fim de garantir uma vida dígna a esses profissionais. Além disso, o a Escola deve produzir um ensino ambiental mais efetivo, por meio de aulas e excursões nas empresas coletoras, permitindo um maior contato entre os alunos e os processos produtivos, com o objetivo de despertar o interresse das crianças pela sustentabilidade desde à infância. E, assim, gradativamente a semelhança com a animação desaparecerá.