Os desafios enfrentados pelos catadores de materiais recicláveis no Brasil
Enviada em 31/03/2022
O crescente aumento populacional aliado ao sistema econômico capitalista motivou a produção excessiva de lixo. Tais resíduos podem ser utilizados nas indústrias de reciclagem para que sejam tratados e, posteriormente, reutilizados. Para isso, é necessária a atuação do profissional coletor de materiais recicláveis que enfrenta diariamente a precariedade na realização de sua função e, muitas vezes, o preconceito por parte da população.
Além de garantir sua sobrevivência, o agente responsável pela catação de material recuperável, exerce atividade nobre no que concerne o meio ambiente: retira da natureza certos objetos maléficos ou não e os encaminha para serem utilizados novamente no processo produtivo. Entretanto, no exercício de sua profissão, o catador enfrenta diversos desafios como: possível contaminação e infecção através de materiais prejudiciais à saúde, desgaste físico devido extensa jornada de trabalho para a coleta do máximo de objetos, já que a remuneração estabelecida pelas indústrias é baixa. De acordo com o Anuário de Reciclagem 2021, a média nacional dos preços, por kilo, de materiais como papel e plástico, varia de R$0,40 a R$1,04.
Outrossim, além do desgaste físico, muitos profissionais encaram diariamente o preconceito de parcelas da população, uma vez que esse trabalho ainda é visto como mendicância e inferioridade. Com isso, tais profissionais ficam vulneráveis a problemas emocionais podendo desenvolver doenças como ansiedade e depressão, devido a marginalização e a falta de reconhecimento, que é uma das necessidades humanas, de acordo com a escala de Abraham Moslow.
Em vista disso, faz-se necessária a abordagem desse tema em escolas e mídias sociais com o objetivo de desconstruir estereótipos acerca dessa profissão, bem como destacar a importância desse profissional para a sustentabilidade do planeta, através de palestras presenciais e onlines com profissionais da área e ativistas ambientais. Ademais, o poder Legislativo deve empenhar-se em estabelecer leis que garantam a dignidade desse trabalho, como obrigatoriedade de vacinação e uso de equipamentos de proteção por parte de profissionais autônomos ou não, além de orientação quanto aos riscos eminentes proveniente desse trabalho.