Os desafios enfrentados pelos catadores de materiais recicláveis no Brasil
Enviada em 04/05/2022
No filme WALL-E, da Disney, é retratado um futuro distópico, onde o planeta Terra foi completamente devastado pelo lixo produzido pelos humanos, que foram viver em uma nave equanto robôs reciclavam o material presente no pálido ponto azul. Fora das telas, a situação dos resíduos descartáveis não é muito diferente, contudo, os responsáveis pela destinação correta dos recicláveis não são máquinas, e sim pessoas, que têm sentimentos e necessidades, as quais no Brasil não são atendidas.
Em primeira análise, os coletores de materiais recicláveis representam um grupo de aproximadamente 800 mil trabalhadores que não usufruem de direitos trabalhistas, tampouco são reconhecidos por parte da sociedade pela tarefa fundamental que exercem, contrastando com o artigo 1° da Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), da ONU. Paralelamente, o crescente número de desempregados aliado ao aumento da quantidade de resíduos reaproveitáveis produzidos, contribuem com a inserção de cada vez mais pessoas no mercado informal da profissão.
Em segunda análise, o perfil dos catadores é, em sua maioria, de homens, pais de família e responsáveis pelo sustento da mulher e dos filhos. O ambiente hostil das ruas, cujo lixo é descartado de forma incorreta e frequentemente não separado entre orgânico, reciclável e, ocasionalmente, hospitalar, expõe os profissionais a ferimentos e doenças, além de comprometer a renda de uma família.
É evidente, portanto, que para alcançar um país mais justo e seguro a todos, é essencial que o Ministério do Trabalho e Previdência (MTP) crie, por meio de campanhas e leis trabalhistas, recursos jurídicos que abranjam a extensa comunidade dos catadores, reservando aposentadoria e afastamento remunerado caso ocorra uma injúria ou enfermidade. Ademais, é preciso uma mudança nos hábitos da população em relação ao lixo, separando e destinando corretamente, só assim será possível combater o futuro distópico da desigualdade no Brasil.