Os desafios enfrentados pelos catadores de materiais recicláveis no Brasil
Enviada em 06/05/2022
Os catadores, responsáveis por catar, selecionar e vender materiais recicláveis, exercem um papel de extrema importância para a sustentabilidade do planeta. Entretanto, apesar dessa grande relevância, eles são desvalorizados pela sociedade brasileira. Assim, cabe analisar a falta de investimento estatal, bem como a discriminação para a efetiva discussão do entrave em voga, o qual deve ser mitigado.
A princípio, nota-se o ínfimo apoio governamental aos catadores. Nessa perspectiva, em 2002, a catação de materiais recicláveis foi reconhecida como profissão pelo extinto Ministério do Trabalho. Todavia, tal legalização não foi efetivada, uma vez que os catadores não recebem uma remuneração adequada ao seu trabalho. Além disso, há poucos iniciativas públicas que fomentem o fortalecimento econômico e organizacional de cooperativas. Desse modo, esses trabalhadores, por possuírem baixíssima renda, vivem em situação de pobreza.
Ademais, a discriminação aos catadores é outra potencializadora dessa problemática. Nesse sentido, após a abolição da escravatura em 1888, milhares de ex-escravos foram abandonados à mercê da população e devido ao preconceito foram excluídos socialmente. Analogamente, o mesmo cenário ocorre na contemporaneidade com os catadores, que, por serem vistos com indiferença pelo corpo social, são marginalizados e privados de direitos básicos, como moradia, educação e saúde. Por conseguinte, essas pessoas passam a morar, irregularmente, próximo aos seus locais de trabalho e a viver em condições insalubres.
Portanto, evidencia-se os desafios enfrentados pelos catadores de materiais recicláveis no Brasil. Dessa forma, para que os catadores vivam dignamente, urge que o Ministério do Trabalho e Previdência, órgão responsável por definir políticas sobre renda e apoio ao trabalhador, faça, por meio de investimentos estatais, a criação de cooperativas de catadores e o fortalecimento das já existentes. Outrossim, é primordial a atuação do Ministério da Cidadania na formulação de programas assistenciais que incluam os catadores na sociedade. Feito isso, situações semelhantes à ocorrida em 1888 deixarão de acontecer.