Os desafios enfrentados pelos catadores de materiais recicláveis no Brasil

Enviada em 01/08/2022

De acordo com o Art. 225 da Constituição Federal, todos possuem direito ao meio ambiente equilibrado, bem como uso comum do povo, para preservá-lo para a presente e futura geração. Logo, os coletores de materiais recicláveis tornam-se imprescindíveis para a garantia de tal direito, visto que os materiais reciclados se destinam ao lugar ideal, em que corrobora a coleta seletiva e a preservação do meio ambiente. Entretanto, os coletores enfrentam desafios na sociedade brasileira, dado a presente desvalorização, em que há a rejeição social desses trabalhadores, além das condições de trabalho, como a falta de reconhecimento e a exposição às condições insalubres e desumanas.

A princípio, vale ressaltar o livro “Quarto de Despejo”, de Carolina Maria de Jesus, em que a autora retrata a realidade dos catadores de materiais recicláveis. Dessa maneira, a autora aborda suas experiências com a rejeição diante a sociedade, visto que esses trabalhadores ocupam os indicadores sociais de menor prestígio. Isto posto, evidencia-se o preconceito e a desvalorização da sociedade para com os coletores, em que afeta a necessidade da valorização de tal trabalho, já que fazem um serviço de utilidade pública.

Outrossim, as condições de trabalho desses cidadãos apresentam-se precárias, apesar da catação de materiais reciclados ter se tornado profissão. De acordo com o Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR), no Brasil há 800 mil profissionais. No entanto, nota-se, ainda, os direitos trabalhistas negligenciados, como a exposição às condições insalubres e desumanas e a falta de reconhecimento profissional e salarial.

Portanto, é preciso que o Ministério do Trabalho e Previdência juntamente com a mídia e a sociedade tomem providências para erradicar o quadro atual, por intermédio de campanhas e projetos que visem a valorização da função dos coletores no país, a fim de conscientizar sua importância para o bem comum. Também, torna-se imprescindível maior fiscalização e regularização das condições trabalhistas desses profissionais. Dessa forma, o direito prometido pela Constituição será garantido e a dignidade dessa profissão também.