Os desafios enfrentados pelos catadores de materiais recicláveis no Brasil

Enviada em 30/10/2022

O livro “Quarto de despejo”, de Carolina Maria de Jesus, mostra as dificuldades das pessoas que sobreviviam da catação de recicláveis em um contexto em que tal prática existia apenas em gênese. Defende-se, portanto, que o Estado deve auxiliar esses cidadãos em seu mister, o qual deve ser considerado de utilidade pública, já que esses brasileiros são artífices das engrenagens da empresa da reciclagem.

De início, deve-se lembrar de que a Constituição Cidadã, no artigo 225, afirma que todos têm direito ao meio ambiente equilibrado. Logo, pessoas como Carolina Maria de Jesus contribuem para esse fim, uma vez que a reciclagem é um dos instrumentos em favor da manutenção da sustentabilidade. Afinal, a Constituição prescreve ainda que essa é uma obrigação não só do Poder Público, mas também da população. De fato, a sociedade tem revelado maior preocupação ecológica, contudo não o suficiente a ponto indicar algum grau de consciência mais engajada a ponto de, por exemplo, transformar a política dos cinco erres, ou seja, (reduzir, reciclar, reutilizar, respeitar e responsabilizar), em filosofia de vida.

Outrossim, deve-se lembrar que Kant defende a ética do dever. Por conseguinte, no Brasil, é preciso que a reciclagem seja elevada a um imperativo categórico, pois, conforme números divulgados pelo “Plano de incentivo à reciclagem” (PICPlast), em 2019, foram reciclados vinte e quatro por cento do material pós-consumo. Em suma, a reciclagem deve ser guindada a lei moral, porque é instrumento essencial para a sobrevivência das futuras gerações. Ou seja, é um sumo bem para a nação.

Enfim, urge que o Ministério do Desenvolvimento Social crie um programa de incentivo ao desenvolvimento dos profissionais do ramo de materiais recicláveis. Com esse objetivo, deve realizar um concurso público para contratação de catadores, que serão preparados para serem instrutores no fomento da profissão em âmbito nacional. Para isso, seria criado um curso de capacitação, com o suporte das Universidades Federais. Dessa forma, tais profissionais atuariam como embaixadores da reciclagem em seus respectivos Estados da Federação. Logo, alavanca-se a profissão e novas Carolinas Maria de Jesus poderiam não só se orgulharem de contribuir para a sustentabilidade, como também contribuir para o sustento de suas famílias com mais dignidade, na esteira do pensamento kantiano.