Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 19/08/2025

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é o país mais ansioso do mundo: cerca de 9% dos brasileiros são acometidos pela enfermidade. Nesse sentido, a sociedade pautada na produtividade e a busca por uma vida perfeita nas redes sociais intensificam a ansiedade, tornando esse problema um dos maiores desafios da contemporaneidade.

Primeiramente, cabe ressaltar que, na sociedade atual, a ética do desempenho marca as relações sociais. Nessa perspectiva, o filósofo Byung-Chul Han defende que a lógica de produção é incorporada em diversas áreas, impedindo o repouso. Isso pode ser observado na escassez de momentos de lazer, o que contribui para o desenvolvimento do esgotamento e da ansiedade em relação ao trabalho, já que a pressão constante por produtividade mina a saúde mental.

Ademais, outro ponto relevante é perceber que a busca pela vida perfeita desencadeia também o transtorno de ansiedade. Nesse contexto, nas redes sociais, observa-se um processo por meio do qual cada indivíduo busca construir uma versão “ideal” da própria vida, em consonância com a perspectiva do filósofo Guy Debord: conforme o pensador, a “Sociedade do Espetáculo”, presente nas relações virtuais, é construída pelo desejo de expor a vida pessoal como algo digno de ser contemplado. Assim, os usuários se tornam ansiosos pela incapacidade de se adequar a tais padrões irreais, o que compromete seu bem-estar emocional.

Portanto, no Brasil, a lógica produtivista e a imposição de uma vida perfeita contribuem para uma sociedade ansiosa, como bem destaca a OMS. Para enfrentar essa questão, é necessário que o Ministério da Saúde, em parceria com escolas e universidades, promova campanhas de conscientização sobre saúde mental, por meio de palestras e materiais digitais que informem a importância do descanso e do uso equilibrado das redes sociais. Além disso, cabe às empresas adotar políticas de valorização do lazer, com horários flexíveis e incentivo a práticas de bem-estar. Desse modo, ao respeitar o repouso e reduzir a imposição de padrões virtuais, será possível prevenir doenças neurais e formar uma sociedade mais saudável.