Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 18/08/2025

No livro O mal-estar na civilização, Freud defende que a busca por progresso pode gerar sofrimento psíquico, já que as exigências sociais frequentemente superam os limites do indivíduo. Essa reflexão é pertinente ao analisar a ansiedade na sociedade contemporânea, intensificada pelo ritmo acelerado da vida moderna e pela falta de políticas públicas eficazes. Nesse sentido, o combate a esse transtorno enfrenta desafios como a naturalização do problema e o acesso insuficiente a tratamentos adequados.

Em primeiro lugar, observa-se a banalização da ansiedade no cotidiano. Muitas vezes, sentimentos de angústia e crises são vistos apenas como “fraqueza”, o que dificulta o reconhecimento da ansiedade como transtorno de saúde mental. Esse estigma leva ao silenciamento de indivíduos que necessitam de apoio, agravando o problema.

Além disso, mesmo quando a ansiedade é identificada, há dificuldades estruturais para o tratamento. No Brasil, quase 10% da população sofre com o transtorno, segundo a OMS, mas o acesso a psicólogos e psiquiatras pelo SUS é limitado, especialmente em regiões periféricas. Essa carência gera desigualdade, pois apenas aqueles com recursos financeiros conseguem arcar com terapias particulares e medicamentos.

Portanto, é necessário que o Ministério da Saúde amplie a contratação de profissionais de psicologia e psiquiatria nos postos do SUS, garantindo atendimento contínuo. Ademais, o Ministério da Educação deve promover campanhas de conscientização em escolas e universidades, desmistificando a ansiedade e incentivando o cuidado com a saúde mental. Essas medidas contribuem para uma sociedade mais acolhedora e preparada para enfrentar esse desafio.