Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 18/08/2025

Na animação Divertida Mente 2, a personagem Riley passa a conviver com a emoção da Ansiedade, que surge como uma tentativa de prepará-la para situações de incerteza, mas acaba causando desequilíbrio emocional. Fora da ficção, esse transtorno tornou-se um dos principais problemas da atualidade, intensificado pelo excesso de informações e pelas pressões sociais. Contudo, o enfrentamento desse desafio é dificultado tanto pela banalização do sofrimento psicológico quanto pela fragilidade das políticas públicas de apoio, o que exige medidas efetivas de transformação.

Em primeiro lugar, a banalização da ansiedade é um obstáculo relevante. Expressões como “estou ansioso” são usadas de forma corriqueira, o que diminui a seriedade do transtorno e impede muitos indivíduos de buscar ajuda. O filósofo Zygmunt Bauman, ao discutir a “modernidade líquida”, explica que a instabilidade das relações e das expectativas sociais gera inseguranças constantes, favorecendo o crescimento desse problema. Assim, quando a ansiedade é vista como mera “fraqueza individual”, cria-se uma barreira para o acolhimento social e para a conscientização coletiva.

Além disso, a insuficiência de políticas públicas voltadas à saúde mental agrava o quadro. Embora o SUS conte com os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), a demanda é maior que a oferta, resultando em filas longas e falta de continuidade no tratamento. A ausência de campanhas educativas também impede que a população reconheça sinais iniciais da ansiedade, levando a casos mais graves. Dessa forma, a deficiência do poder público contribui para que o transtorno comprometa a vida pessoal, o desempenho profissional e as relações sociais de milhares de brasileiros.

Portanto, o Ministério da Saúde deve ampliar o atendimento psicológico no SUS, por meio da formação de profissionais, a fim de garantir acesso contínuo. Além disso, a mídia precisa veicular campanhas educativas permanentes, para informar a população e estimular a procura por ajuda. Assim, será possível reduzir os impactos da ansiedade e promover uma sociedade mais saudável.