Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 19/08/2025
Imagine a seguinte situação: vivemos numa época em que o tempo parece voar, e a pressão para sermos sempre mais produtivos nos consome. Nesse turbilhão, a ansiedade, que antes era vista como um “bichinho” que nos incomodava de vez em quando, agora se revela um companheiro indesejado para muitos. E o que mais dói é perceber que, muitas vezes, nem nós mesmos levamos a sério quando dizemos “estou ansioso”. É como se a sociedade nos dissesse, sem querer, que não é para tanto, que é só uma fase. Simone de Beauvoir nos lembra que somos moldados pelo ambiente, e quando esse ambiente não tem sensibilidade para o sofrimento psíquico, fica ainda mais difícil para quem está sofrendo encontrar um caminho.
E quando procuramos ajuda, muitas vezes nos deparamos com um sistema de saúde que, apesar de ter boas intenções, ainda engatinha no que diz respeito ao cuidado com a mente. Os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) são como faróis em meio à tempestade, mas infelizmente, são poucos para a imensidão de pessoas que precisam de luz. Para piorar, as redes sociais, que poderiam ser um espaço de conexão, muitas vezes nos jogam em um mar de comparações e expectativas irreais, intensificando essa sensação de não sermos bons o suficiente. É como tentar atravessar um rio caudaloso com uma canoa furada.
Por isso, precisamos agir com o coração e com inteligência. O Ministério da Saúde e o Ministério da Educação poderiam dar as mãos e abrir mais esses “faróis”, os CAPS, e também levar psicólogos para as escolas, onde muitos jovens estão começando a sentir esse peso. E que tal usarmos a força da mídia e das redes sociais para espalhar mensagens de esperança e informação? Chamar influenciadores que realmente se importam para falar abertamente sobre ansiedade, para que ninguém mais se sinta sozinho ou envergonhado em buscar ajuda. Assim, podemos construir um Brasil onde cuidar da mente seja tão natural quanto cuidar do corpo, e onde todos se sintam vistos, ouvidos e acolhidos.