Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 22/06/2026
O filósofo Byung-Chul Han aponta que a cobrança moderna por produtividade transformou os indivíduos em “empresários de si mesmos”, gerando um esgotamento mental coletivo. Fora dos livros, essa realidade se reflete no Brasil através de uma crise silenciosa de ansiedade. Esse cenário persiste devido a dois grandes desafios: a falta de suporte na rede pública de saúde e a pressão por uma vida perfeita ditada pelas redes sociais.
Em primeiro lugar, a barreira no acesso ao tratamento médico desampara quem mais precisa. Sob a lógica do “contrato social” de John Locke, o Estado falha quando não assegura a saúde do cidadão. Na prática, embora o SUS preveja o atendimento psicológico, os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) sofrem com longas filas e falta de profissionais. Isso privatiza o bem-estar, tornando o cuidado mental um privilégio de quem pode pagar e deixando as classes mais vulneráveis expostas ao adoecimento.
Além disso, a cultura da hiperconectividade funciona como um gatilho para as crises psíquicas. Como explicava Zygmunt Bauman, vivemos em uma sociedade imediatista e volátil. No ambiente digital, os algoritmos estimulam a comparação constante ao exibir recortes de vidas impecáveis, gerando o medo de estar perdendo algo (FOMO). Essa cobrança invisível, somada a rotinas exaustivas, anula o tempo de descanso e transforma o cotidiano em um terreno fértil para o esgotamento.
Portanto, humanizar o combate à ansiedade exige ações diretas. O Ministério da Saúde deve destinar mais verbas para contratar psicólogos e psiquiatras para as Unidades Básicas de Saúde (UBS) e CAPS, além de expandir o atendimento por teleconsultas gratuitas. Em paralelo, o Ministério da Educação deve incentivar as escolas a criarem projetos e rodas de conversa sobre inteligência emocional e o uso saudável das tecnologias. Assim, o equilíbrio mental deixará de ser um luxo e se tornará um direito acessível.