Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 23/06/2026
Na obra “Modernidade Líquida”, o sociólogo Zygmunt Bauman explica que o mundo atual é marcado pela pressa e pela incerteza, o que nos deixa em um estado constante de instabilidade. Longe dos livros, essa volatilidade se traduz no avanço silencioso e alarmante da ansiedade entre os brasileiros. Para enfrentar esse cenário, precisamos encarar de frente dois grandes obstáculos: a tendência da sociedade em minimizar a dor alheia e o peso invisível que a cobrança do mundo digital exerce sobre a nossa mente.
Em primeiro lugar, o hábito de normalizar o sofrimento psíquico atrasa o diagnóstico e o acolhimento. O filósofo Voltaire já dizia que o preconceito é uma opinião que nasce sem julgamento crítico. Na prática, a ansiedade ainda é vista por muitos como “frescura” ou preciosismo, um rótulo que esvazia seu caráter de doença real. Esse julgamento apressado faz com que quem sofre se isole e sinta vergonha de pedir ajuda, transformando o que deveria ser um tratamento médico em um processo de sofrimento solitário e silencioso.
Além disso, é impossível ignorar como a nossa rotina nas redes sociais funciona como um gatilho. Ao analisar a urgência dos tempos atuais, o filósofo Byung-Chul Han aponta que nos tornamos reféns de uma cobrança interna por produtividade e felicidade lineares. No ambiente virtual, a exibição de vidas sem falhas cria uma régua de comparação injusta e irreal. Ao tentarmos acompanhar um ritmo que não é humano, o cérebro adoece diante do cansaço e da sensação de insuficiência gerada pelo bombardeio de telas.
Portanto, humanizar o cuidado com a mente é um passo urgente. Para isso, o Ministério da Saúde, em conjunto com o Ministério da Educação, deve criar programas contínuos de acolhimento e escuta nas escolas e comunidades, levando psicólogos para rodas de conversa abertas e distribuindo guias de apoio sem termos técnicos. O objetivo é aproximar a informação de quem precisa, quebrando tabus sobre o tratamento psíquico. Só quando deixarmos de lado a pressa das redes e o preconceito do dia a dia seremos capazes de oferecer um alívio real a essa geração.