Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 10/06/2020

É possível, por intermédio da linguagem simples e coloquial do poema “No meio do caminho”, de Drummond, fazer uma analogia a respeito da ansiedade na sociedade contemporânea. Acerca de tal análise, pode-se ligar a pedra, presente na obra drummondiana, à crescente repercussão e manifestação da problemática no cotidiano dos brasileiros. Ainda, constata-se que o revés está atrelado não somente às peripécias da vida moderna, mas também à inoperância estatal.

De início, irrompida em meados do século XX, a Terceira Revolução Industrial trouxe para a humanidade inúmeros avanços. Em conjunto com as inovações tecnológicas, as transformações das relações sociais se configuraram como elementos característicos dos novos tempos, os tempos líquidos, termo proposto por Zygmunt Bauman, que designa o atual estágio da sociedade contemporânea. Tais aspectos, todavia, têm abalado e reestruturado diversas áreas sociais, à exemplo, tem-se o desemprego e a violência sinônimos do stress e da ansiedade. Nesse contexto, é preocupante o aumento do número de buscas por medicamentos controlados, sobretudo quando a matriz da problemática permanece sem solução.

Outrossim, pontua-se o desleixo governamental como precursor do agravamento da situação. No livro “Ética a Nicômaco”, Aristóteles defende que a política serve para garantir o bem-estar dos cidadãos. Porém, o descaso das autoridades públicas, em relação à busca por melhorias diante das atuais conjunturas políticas e socioeconômicas, fomenta a atual inadimplência do Estado em solucionar essa mazela social. Porquanto, os dados divulgados pelo Institute for Health Metrics and Evaluation (IHME), os quais apontam que o Brasil lidera a maior taxa de portadores de distúrbios relacionados à ansiedade no mundo, exemplificam o desdém político-administrativo. Dessa forma, verifica-se a necessidade de uma reformulação nos valores e nas ações político-sociais, a fim de que o axioma aristotélico retorne ao cerne dos princípios governamentais e as consequências dos acontecimentos supracitados possam ser mitigados.

Logo, para que o triunfo sobre o combate à ansiedade na sociedade contemporânea seja consumado, urge que os Ministérios e Superministérios, por meio dos recursos enviados pelo Estado, promovam ações conjuntas, de modo a amenizar os agentes estressores. Ademais, essa ação deverá ser posta em prática mediante a criação de empregos nas regiões menos abastadas do país, assim como a elaboração de um seguro-desemprego. Ainda assim, recursos deverão ser aplicados na segurança pública, de modo a amenizar os alarmantes índices de roubo e violência. Dessarte a pedra poderá ser removida do caminho social.