Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 09/06/2020

Em sua obra “Em busca da política”, o sociólogo Zygmunt Bauman afirma que “tendemos a crer que pouco podemos mudar - sozinhos, em grupo ou todos juntos - na maneira como as coisas ocorrem ou são produzidas no mundo”. É com essa crença de impotência que poder público e sociedade civil organizada têm, de forma muito tímida e pouco assertiva, encarado os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea. Logo, é imperativo um maior engajamento desses atores sociais no inadiável enfrentamento desse problema.

Em primeiro lugar, é evidente que o poder público falha ao cumprir o seu papel enquanto agente fornecedor de saúde para a população, o que favorece a permanência e o aumento nos números de pessoas acometidas com a ansiedade. Nesse sentido, um relatório divulgado pela Organização Mundial da Saúde aponta o Brasil como a nação mais ansiosa do mundo, visto que, segundo o mesmo, cerca de 10% da população canarinha sofre desse mal. Diante disso, é válido afirmar que a União precisa investir em medidas preventivas aliada nas políticas sociais no objetivo de combater essa doença.

Ademais, consonante com Bauman, o rapper Gabriel, O Pensador, na canção “Estudo errado” reivindica uma escola que, de fato, vá além dos conteúdos tradicionais, comprometendo-se com debates dos problemas vigentes. Nessa lógica, as instituições de ensino erram quando não oportunizam à comunidade escolar espaços de discussões à respeito dos desafios no combate à ansiedade. Isso se dá, em grande medida, porque tais instituições ainda se utilizam de uma pedagogia tecnicista, a qual se caracteriza pela assimilação de fatos e fórmulas e pela falta de vínculo com o contexto social. Dessa forma, fica flagrante o descompromisso de muitas escolas com a formação crítica do indivíduo.

Urge, portanto, que medidas sejam tomadas para o combate à ansiedade no Brasil. Nesse viés, o Estado, por meio do Ministério da Saúde, deve fomentar, na população, atendimentos preventivos psicossociais com uma equipe multidisciplinar de saúde, através das Unidades de Pronto Atendimento e das Unidades Básicas de Saúde, com o apoio do Programa de Saúde da Família, a fim de resguardar o direito básico à saúde previsto e garantido na Constituição Federal de 1988, respeitando os Direitos Humanos. Aliado a isso, as escolas, por meio do Ministério da Educação, promovam nos ambientes escolares projetos socioeducacionais sobre ansiedade através de palestras, debates e oficinas ministradas por psicólogos, médicos e profissionais que possuam conhecimentos no combate e prevenção, desde cedo, da doença. Somente assim, observado o engajamento de todos, o país vencerá sua crença de impotência e, por conseguinte, estará mais próximo de superar esse desafio.