Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 09/06/2020

A falta de solidez nas relações, segundo Zygmunt Bautman, é característica da “modernidade líquida” vivenciada a partir do século XX. Analisando o pensamento do sociólogo polonês, constata-se que a ansiedade é um sério problema de saúde pública atualmente no Brasil. Logo, para enfrentar essa situação imediata amenizando suas consequências, dois fatores devem ser observados: o descaso social para lidar com a doença e a busca constante pelas conquistas pessoais.

Em primeira análise, é importante ressaltar a falta de conhecimento da sociedade para lidar com transtornos mentais, uma vez que, ainda tratado como tabu, muitos não procuram ajuda profissional e acabam optando pela automedicação. Nesse contexto, os sinais e sintomas desse mal do século são poucos conhecidos e, quando conhecidos, são encarados como “frescura”. Desse modo, colabora Weber, sociólogo alemão, em afirmar que a dinâmica e mutabilidade das relações pessoais intensificam e fragilizam a preocupação com o outro indivíduo, tomando frente às características individualistas.

Além disso, a procura incessante para alcançar o sucesso, favorece o surgimento da ansiedade. Diante disso, o psicanalista Segmund Freud desenvolveu o conceito segundo o qual os indivíduos modernos são levados a alcançar o prestígio em todas as áreas da vida. Com efeito, substancial parcela da população se veem pressionados pela sociedade a conquistar o sucesso, tanto na vida pessoal quanto na carreira profissional, confirmando assim o conceito de Freud. Dessa forma, enquanto a cultura do sucesso estiver enraízada na sociedade, a ansiedade será motivo de preocupação.

O combate a liquidez supracitado, a fim de conter o avanço da ansiedade, deve se tornar efetivo, uma vez que representa um retrocesso social e de saúde pública. Assim, urge que a imprensa, por meio de campanhas de orientação ao público, divulgar as principais características da ansiedade, com o intuito de reduzir o preconceito e aumentar o diagnóstico precoce dessa patologia. Além disso, é preciso que o Ministério da Educação inclua o profissional psicólogo no ambiente escolar, com a finalidade de prevenir e atender as demandas que surgem frequentemente nesse ambiente que por muitas vezes são negligenciados pela sociedade. Por fim, com tais medidas, será possível afastar o Brasil cada vez mais do rol dos países líderes em casos de ansiedade.