Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 09/06/2020

De acordo com o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, vive-se na era da “modernidade líquida”, determinada pela fluidez e efemeridade das relações contemporâneas. De maneira análoga, tal fato relaciona-se ao surgimento de diversos problemas crônicos da pós-modernidade, os quais têm degradado, significativamente, a saúde psíquica dos indivíduos. Com efeito, a ansiedade torna-se uma problemática recorrente na sociedade hodierna devido a dois fatores principais: o dinamismo nas formas de sociabilidade e o despreparo social para lidar com a doença.

A princípio, é imperativo pontuar que a perspectiva tecnológica contemporânea impacta de forma negativa no estado psicológico dos cidadãos. Isso ocorre pela crescente complexidade das relações socioeconômicas, o que pressiona os indivíduos  a se adequarem cada vez mais aos numerosos padrões de sociedade. Tal fenômeno comprova-se por meio de dados na Organização Mundial da Saúde (OMS), que prevê que 33% da população mundial possui ansiedade, sendo a maior parte dela composta por Millennials -indivíduos nascidos após a década de 1980. Logo, faz-se imprescindível a existência de ações mútuas entre instituições para combater esse paradigma na contemporaneidade.

Outrossim, é válido averiguar que a negligência institucional para com a ansiedade agrava essa conjuntura. Isso se dá, na prática, pela falta de abordagem do assunto nas instituições de ensino, bem como pela ausência de projetos governamentais efetivos de conscientização e informação. Diante disso, o baixo nível de conhecimento da população para lidar com os transtornos mentais constitui um empecilho para arcar com esse cenário. Desse modo, é substancial que os órgãos públicos tomem providências para reverter tal panorama de desinformação.

Em síntese, a observação crítica dos fatos sociais reflete a urgência de viabilizar medidas para mitigar esse quadro caótico. Portanto, cabe ao Governo Federal, por meio de verbas governamentais, implementar palestras e projetos educativos nas instituições de ensino básico, em disciplinas voltadas para as humanidades, que abordem as doenças crônicas e a forma de lidar com essas, a fim de combater a desinformação e a negligência social. Ademais, é dever do Ministério da Saúde, por intermédio de parcerias com as grandes mídias, desenvolver políticas públicas de conscientização e combate a transtornos psíquicos, mediante propagandas objetivas e de alto impacto, com o fito de alertar e mobilizar a população de diversas faixas etárias. Assim, a sociedade e o Poder Público serão mais promissores no combate à ansiedade.