Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 09/06/2020

“Enquanto houver lugares onde seja possível a asfixia social;enquanto sobre a terra houver ignorância e miséria livros como este não serão inúteis , afirmou Victor Hugo no prólogo de “Os miseráveis” .Embora escrita no século passado , a constatação do escritor francês lamentavelmente , ainda é válida para o atual século , principalmente quando se percebe os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea . Analogamente, a humanidade ainda se vê “miserável”, seja pela não aceitação da ansiedade , seja pelo modo de vida atual .

A princípio, é lícito postular que a não aceitação dos indivíduos frente a ansiedade está intrinsecamente ligada aos desafios no combate à ansiedade na sociedade . A luz dessa perspectiva , observa-se a vivência em uma sociedade marcada por tabus , os quais foram instalados no meio social desde os primórdios , a exemplo das experiências na idade média a qual caracterizava a mente por um conceito filosófico e moral , e nessa época a moral provinha de Deus . Sob esse prisma, nota-se que  a neurociência trouxe suas contribuições como , o trabalho de psiquiatras e psicólogos.Todavia os cidadãos ainda assim permanecem na inércia e com um pensamento preconceituoso , definindo a área da psiquiatria para” loucos". Desse modo , a sociedade apresenta um elevado índice de retrocesso.

Ademais , é seguro ratificar que o modo de vida atual é fruto dos desafios no combate à ansiedade. Nesse viés, nota-se que desde o surgimento da globalização e êxodo urbano houve um maior índice de pessoas lutando por empregos e por uma vida melhor , o que resultou em uma competição . Tal fato retrata a teoria de Darwin , biólogo que explicou a teoria da evolução - seleção natural , a qual seleciona os indivíduos aptos para a sobrevivência . Sob essa análise , o ser humano está em constante disputa , seja por um emprego , casa , roupa , comida, o que acaba por contribuir com os elevados índices de ansiedade na atual conjuntura . Dessa forma , o “autoimperialismo " descrito pelo escritor Benjamin Moser ,caracteriza a ação do brasileiros em si mesmos , representando a “asfixia social " .

Logo , em virtude dos fatos supracitados , urge a mudança . Faz-se necessária a participação de Ongs  as quais  irão trabalhar contra a não aceitação da ansiedade  na sociedade , por meio do apoio midiático e “outdoors” , a fim de informar sociedade em geral sobre a importância da ansiedade e o seu tratamento . Além disso , é imprescindível a participação do Estado , na figura do Ministério da saúde criar projetos para ser desenvolvidos em clínicas e hospitais a fim de oferecer apoio as pessoas que sofrem de ansiedade , oferecendo “kits” de autoajuda e dicas para evitar o estresse em meio as rotinas do dia a dia . Juntamente é mister , que os tabus frente ao tratamento sejam exilados , com  o auxílio de campanhas em redes sociais . Doravante , a realidade descrita por Hugo poderá ser mitigada .