Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 10/07/2020
No filme “Divertidamente”, dos estúdios Disney, a personagem Riley aprendeu a lidar com as emoções por meio do equilíbrio entre elas, sem tentar reprimir sentimentos como raiva, medo ou tristeza, que são considerados nocivos pela sociedade. Em paralelo à ficção, nota-se que, na contramão da Riley, indivíduos que tentam ignorar suas emoções têm maior possibilidade de adquirir a ansiedade crônica, que, no Brasil, acomete grande parte da população. Nesse contexto, a desinformação e a autocobrança por uma vida idealizada, fruto da era digital, são desafios para o combate a essa patologia no país.
Em primeiro plano, é válido ressaltar que a existência de tabus relacionados à transtornos psicossomáticos dificulta o diagnóstico e o tratamento da doença. Nessa esteira, apesar de o Brasil ser o país mais ansioso do mundo segundo a Organização Mundial da Saúde, as informações difundidas para a sociedade são escassas, o que interfere no combate à ansiedade. Dessa forma, é comum que portadores da doença se sintam desestimulados a procurar ajuda profissional, bem como sejam alvos de preconceitos ditados pelo senso comum. Logo, é indubitável que a persistência dos tabus e, por conseguinte, da desinformação, é prejudicial para um país que deve enfrentar esse avanço epidêmico.
Somado a isso, o excesso de cobranças pessoais e sociais, em uma era cada vez mais digital, também interfere no controle desse transtorno. Nesse panorama, as redes sociais, que possuem um elevado poder de influência, promovem o avanço da ansiedade com o surgimento massivo dos “influencers” digitais, profissionais que usam da sua imagem para engajar marcas ou ideias em troca de retorno financeiro. Contudo, a problemática em torno desse fenômeno se concretiza quando os jovens se comparam negativamente com o que absorvem na internet, onde os “influencers” expõem suas vidas aparentemente perfeitas, o que não é absolutamente real. Nesse sentido,o uso excessivo das redes sociais e o desejo por um padrão de vida utópico somatizam os riscos de se obter a ansiedade.
Sob tal ótica, é imperioso enfatizar a urgência por mudanças na conjuntura vigente. Para tanto, é necessário que o Ministério da Saúde amplie o acesso à informação e o atendimento profissional aos portadores da ansiedade crônica, por meio da expansão de Centros de Atenção Psicossocial para áreas que não dispõem de tal serviço, bem como investir em campanhas informativas a nível nacional. O objetivo dessa ação é levar assistência profissional a quem precisa e para as diversas regiões. Ademais, as escolas devem promover sessões periódicas de palestras para pais e alunos sobre doenças psicossomáticas, como ansiedade, por intermédio da parceria com médicos e psicólogos, a fim de mitigar preconceitos na sociedade. Com isso, o Brasil estará engajado em combater a ansiedade.