Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 11/06/2020

No documentário ‘‘Take your pills’’, é retratado a narrativa dos jovens estadunidenses que usam remédios sem prescrição médica no intuito de diminuir à ansiedade e aumentar sua produtividade. Infelizmente, a narrativa não destoa da realidade contemporânea, na qual, não apenas, mas principalmente os jovens, tentam de diversas maneiras alcançarem padrões em uma constante auto cobrança. Com a crescente concorrência e altos padrões exigidos pela sociedade, há um grande número de pessoas que sofrem de ansiedade, um transtorno que afeta de maneira notória o século XXI.

Primeiramente, é importante analisar a dinâmica de auto cobrança e padrões da sociedade contemporânea. No livro ‘‘Sociedade do Espetáculo’’ do filósofo e sociólogo Guy Debord, é explicitada sua teoria de que todas as  pessoas vivem suas vidas como se fosse uma performance, tentando sempre darem o melhor de si para todos e aparentar perfeição. A teoria se comprova correta quando comparada aos altos padrões atuais de nossa sociedade. Com a maior exposição trazida pela internet e uma competitividade acirrada, agravada pela globalização, espera-se cada vez mais perfeição do show de cada um. Desse modo, as metas tornam-se cada vez maiores, as notas mais altas, os salários maiores e tudo, no final, se tornou inalcançável, o que faz com que muitas pessoas desenvolvam ansiedade por não conseguir melhoras sua performance.

Outrossim, a diminuta busca por ajuda acaba por expandir ainda mais o número de ansioso. Nesse ínterim, a frase “não há nada mais difícil do que tomar a frente por uma mudança”, proferida por Maquiavel, reflete a situação que muitos dos ansiosos passam- a dificuldade de enfrentar os preconceitos e tabus para admitir que precisa de ajuda. Preconceito pois, uma grande parcela da sociedade acredita que os problema psicológicos são falta de ir à igreja ou, simplesmente, drama. Ademais, os que sofrem desse mal, por vezes, acreditam que podem curar-se sozinhos, negando a si mesmos seu quadro clínico, o que acarreta em um número cada vez mais exponencial desses.

Diante do exposto, conclui-se que urge a necessidade do Ministério da Saúde disponibilizar, mensalmente, psicólogos e neurologistas nas escolas e faculdades, a fim de tornar mais acessível o atendimento a quem está mais vulnerável. Somado a isso, as propagandas comerciais na televisão, cumprindo com seu papel social, deverão encorajar as pessoas a procurarem ajuda, desmistificando os tabus acerca do assunto e não perpetuando padrões de corpo e papel social. Dessa forma, tratando das causas e consequências da ansiedade, espera-se a mitigação da problemática.