Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 14/06/2020
Um indivíduo em desespero, ao passo que, em seu entorno, personagens mostram-se apáticos a esse sofrimento. É isso o que se observa no quadro “O grito”, do pintor Edvard Munch. Contudo, essa indiferença frente aos problemas alheios não se limita à obra expressionista, já que, na realidade brasileira, as vítimas da ansiedade têm sido negligenciadas por determinados setores da sociedade. Nesse prisma, cabe analisar essa questão no país.
De início, pontua-se que o Poder Público revela-se omisso ao não combater a ansiedade. Isso porque existe uma deficiência no processo de conscientização, uma vez que falta estimular a população ao autoconhecimento. Desse modo, percebe-se que a não compreensão de aspectos emocionais próprios dificulta as percepções dos sintomas quando a ansiedade deixa de ser uma resposta biológica natural e passa a se comportar como uma psicopatologia, o que faz com que o indivíduo não procure ajuda profissional. Vê-se, portanto, que o Estado não tem assegurado o bem-estar de toda a coletividade, demonstrando um desrespeito aos princípios previstos na Constituição Federal de 1988.
Ademais, enfatiza-se que não questionar a ansiedade é banalizar o mal. Porém, parte da sociedade tem apresentado uma certa resignação diante da ausência de assistência governamental, visto que falta oferecer, no Sistema Único de Saúde (SUS), atendimento psicológico gratuito para pessoas que sofrem com esse tipo de transtorno, o que tem prejudicado a promoção de uma saúde mental. Constata-se, então, que a naturalização dessa problemática corrobora os estudos da filósofa Hannah Arendt, posto que, segundo ela, a massificação social tem sido responsável por comprometer a capacidade crítica do indivíduo, o qual passa a aceitar, de maneira inerte, quadros negativos.
Infere-se, portanto, que a ansiedade deve ser combatida. Logo, é preciso que o Estado, mediante a realização de palestras ministradas por psicólogos, promova a conscientização social sobre a necessidade do autoconhecimento, para que as pessoas consigam reconhecer, por exemplo, desregulações de humor e afetividade que possam desencadear distúrbios psicológicos, estimulando, assim, a procura por ajuda profissional. Também, é fundamental sensibilizar a população, via campanhas midiáticas produzidas por ONGs, acerca da importância de não se adotar uma postura resignada diante desta problemática, potencializando, com isso, a mobilização coletiva em prol de uma assistência governamental que ofereça, no SUS, atendimento psicológico àqueles que sofrem com esse tipo de transtorno. Desse modo, a indiferença frente às adversidades alheias poderia se restringir à obra de Munch.