Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 12/06/2020

A partir da segunda metade do século XX, com o advento da Revolução Técnico-Científica-Informacional, foi possível observar transformações ontológicas voltadas ao desenvolvimento de problemas relacionados com o quadro de saúde mental dos indivíduos. Na contemporaneidade, o termo ansiedade tornou-se comumente utilizado para indicar uma condição fisiológica de sintomas diversos, a qual pode evoluir para transtorno patológico. Nesse sentido, é necessário ponderar acerca dos desafios enfrentados a fim de combater essa intempérie na conjuntura social vigente.

A modernidade líquida presente no cenário hodierno contribui de maneira contundente para despertar manifestações que promovem a ansiedade. Segundo o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, a percepção do tempo na era moderna gera a sensação de estar perdendo algo, além de preconizar a pressa como elemento fulcral para acompanhar o ritmo líquido do mundo, resultando em sentimentos de inadequação. De maneira análoga, associa-se tal pensamento com o quadro atual, visto que a dinamicidade vigorante fomenta gatilhos para o desenvolvimento da ansiedade, como a necessidade de produtividade constante para não desperdiçar o tempo. Logo, é válido considerar esse fator agravante para combater a problemática abordada.

Ademais, o déficit institucional relacionado a mecanismos promotores de saúde mental constitui-se como adversidade no combate à ansiedade. De acordo com o filósofo contratualista Jean Jacques Rousseau, é dever do Estado gerenciar seus aparatos em prol da coerência social embasada no bem estar e na capacidade assistiva. De maneira análoga, nota-se que o contexto hodierno contrasta com a teoria apresentada pelo pensador, haja vista a falta de ferramentas que efetivamente promovam o atendimento voltado para a saúde mental do cidadão; tal realidade é observada, por exemplo, pela carência de profissionais qualificados, como psicólogos e psiquiatras, em postos de Unidades Básicas de Saúde (UBS). Assim, o despreparo latente fomenta a temática.

Portanto, entende-se desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea mediante aos argumentos supracitados. Por isso, é necessário que o Governo Federal, como gestor dos interesses coletivos, passe a aumentar investimentos relacionados com a saúde mental da população, por meio de maior alocamento de verbas ao Sistema Único de Saúde (SUS) direcionadas especificamente para tal setor, as quais podem ser utilizadas na contratação de mais profissionais qualificados disponíveis para atendimentos, por exemplo; além disso, tal medida pode permitir um acréscimo ao estoque de ansiolíticos nas unidades visando pacientes em casos de transtornos graves. Com isso, as adversidades na luta contra a ansiedade devem dirimir no panorama atual.