Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 12/06/2020

Diante de um contexto marcado pela fluidez das relações e um acelerado estilo de vida urbano, problemas psicológicos têm se mostrado cada vez mais frequentes na sociedade. Um desses distúrbios, a ansiedade, acomete em torno de 9,3% da população brasileira segundo dados da OMS - Organização Mundial da Saúde, comprovando a necessidade de sua redução. Desta forma, fatores como: a liberdade de escolha e a banalidade do tratamento, corroboram para sua perpetuação, não só no indivíduo mas em toda uma sociedade.

Kierkegaard - filósofo alemão do século XIX - concebe a ansiedade como um medo do qual não se sabe a origem, ocasionado pela excessiva liberdade de escolha advinda das revoluções industriais e burguesas. Atualmente, é possível traçar um paralelo com essa realidade, visto que: movimentos, tais como o “Diretas já”, possibilitaram ainda mais escolhas para o homem contemporâneo, intensificando o sentimento de angústia não só entre a classe burguesa, mas entre toda uma população. Ademais, a banalidade na concepção da ansiedade como um problema que necessita de orientação, mostra-se enraizada na sociedade mediante atitudes como: a pressão familiar e dos círculos sociais minimizando o problema à algo como “frescura”, além do despreparo do Sistema de Saúde em fornecer atendimento adequado, evidenciando esta insignificação aos distúrbios psicológicos.

Outrossim, esta permanência dos casos de ansiedade afetam diretamente o indivíduo, levando-o ao afastamento social, que sem o devido tratamento pode evoluir para casos depressivos e até ao suicídio - comprovad opelo SUS - Sistema Único de Saúde - por conta do aumento de 12% dos casos no Brasil, entre os anos de 2011 a 2015. Este quadro não se aplica somente à uma pessoa, mas à toda uma sociedade, que ansiosa, reflete às instituições da quais faz parte, seja na diminuição do rendimento do trabalho e o consequente aumento do desemprego, ou até na continuidade das instabilidades governamentais, pois a política é um reflexo da sociedade, como dito pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.

Urge portanto a necessidade de que o Ministério da Saúde, juntamente dos Órgãos Municipais, realizem palestras - fora do horário de trabalho, a fim de garantir um maior público - abordando o tema da ansiedade e os problemas relacionados a este, além de instruir como agir quando se convive com alguém  enfrentando este quadro psicológico, com o objetivo de reduzir a desinformação e o tratamento inadequado da doença. Além disso, cabe as ONGs utilizarem de meios de comunicação como redes sociais, “digital influencers” e a panfletagem, para divulgar os programas de assistência psicológica, com o fim de prestar um atendimento mais direto e rápido para quem passa por crises de ansiedade.