Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 13/06/2020
O livro norte-americano “Os Treze Porquês” conta a história da protagonista Hannah que sofre de ansiedade. No entanto, por ter vergonha e medo da não compreensão dos pais e amigos não trata esse estado, o que a faz desenvolver ansiedade e lamentavelmente se suicidar. Infelizmente, fora da ficção e em cenário brasileiro tratar a ansiedade também é um desafio, pois fazer terapia é um tabu e se automedicar é sempre a solução mais fácil para topos os tipos de problema.
Antes de tudo, vale ressaltar que os elevados números de pessoas com ansiedade no mundo têm uma de suas raízes na filosofia do sistema capitalista. Com o desenvolvimento do capitalismo, foi normalizado a idealização de um padrão de vida utópico, que todos deveriam ter para se sentirem completos. Um exemplo disso, foi a ideologia do American Way of Life que pregava a felicidade nos consumismo e poder aquisitivo. Entretanto, as pessoas passam a vida toda tentando atingir essa “utopia” e não conseguem, o que acarreta em uma frequente frustração e gera distúrbios mentais, como a ansiedade.
Consequentemente, os casos de ansiedade foram crescendo e a popularização das formas de tratá-la não acompanharam esse crescimento. Segundo a Organização Mundial da Saúde, o Brasil é o país mais ansioso do mundo, isto é, milhões de cidadãos enfrentam o dia a dia sentindo falta de ar, tensão muscular, tontura, enjoo e palpitações no peito. Apesar de os indivíduos terem esses empecilhos em sua rotina, a maioria não procura se tratar corretamente e se automedicam com calmantes. Nesse sentido, apenas tratam parte do problemas e no futuro sofrem sérias consequências, se tornam viciados e desenvolvem várias doenças.
Percebe-se, portanto, que medidas são necessárias para rever esses impasses. É fundamental que o Ministério da Saúde promova campanhas de conscientização sobre a importância de consultar um psicólogo para o tratamento do transtorno da ansiedade. Essa divulgação ocorreria na televisão, com propagandas com linguagem acessível e palestras administradas por psicólogos dos postos de saúde nas escolas, alertando sobre a presença da psicologia, pelo SUS, nas unidades básicas de saúde. Dessa maneira, aos poucos, os tabus sociais envolvidos nessa temática iriam diminuir e casos como os de “Os Treze Porquês” não seriam mais corriqueiros.