Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 14/06/2020
A Declaração Universal dos Direitos Humanos, promulgada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1948, assegura a todos os indivíduos o direito à saúde e ao bem-estar social. Entretanto, na sociedade contemporânea, a má condição psicológica dos seres humanos é desenvolvida ao longo do vida, tanto por acontecimentos marcantes, quando pela falta de solidariedade alheia. Nesse contexto, no qual os desafios no combate à ansiedade são elevados, dois aspectos fazem-se relevantes: o isolamento social e a banalização da doença.
Inicialmente, o isolamento social, causado pela pandemia do novo coronavírus, gerou mudanças profundas no modo de viver em todo o mundo. Da mesma forma que há a preocupação em não se infectar por COVID-19, também existe uma crise econômica atrelada ao confinamento, fatores que corroboram para desenvolvimento de transtornos de ansiedade. É notório que o surto de coronavírus elevou os casos de ansiedade, uma vez que, segundo pesquisa realizada pelo Instituto Ipsos, ao longo da quarentena, o Brasil, entre 16 países estudados, apresentou o maior número de habitantes que sofrem de ansiedade devido à pandemia.
Outrossim, a banalização diária da questão psicológica, seja ela intensa ou sútil, dificulta o combate aos distúrbios de ansiedade. De acordo com a teoria da banalidade do mal, idealizada pela filósofa alemã Hannah Arendt, se criou uma multidão incapaz de fazer reflexões morais, razão pela qual aceitam e cumprem ordens sem questionar, tornando o mal banal. A exemplo disso, a sociedade colabora negativamente ao tratar transtorno de ansiedade, que é capaz de incapacitar uma pessoa, apenas como nervosismo ou impaciência. Dessa maneira, além do paciente ser obrigado a lidar com seu problema psicológico, é forçado a conviver com o estigma social.
Portanto, constata-se que a ansiedade é um distúrbio desenvolvido durante a vida do indivíduo, sendo seu combate de extrema relevância na atualidade. Dessa forma, é preciso que o Estado, que é responsável pela gestão dos recursos, forneça suporte psicológico às famílias, por meio da criação de uma plataforma digital que ofereça consultas com psicólogos. Ademais, é necessário que a mídia, que tem poder de alcance entre as massas, divulgue campanhas de valorização do bem-estar e da vida, como o Setembro Amarelo, por meio de reportagens nos principais noticiários. As ações propostas visam minimizar os casos de ansiedade e, consequentemente, garantir a saúde da população.