Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 23/07/2020

Problemas de saúde mental estão cada vez mais comuns no cotidiano das pessoas. Segundo a Organização Mundial da Saúde – OMS cerca de 9% dos brasileiros sofrem com crise de ansiedade, problema esse, que encontra certos desafios para ser combatido como, por exemplo, o avanço da tecnologia e os tabus em torno do tema.

Um primeiro ponto a ser destacado quando se fala em desafios no combate à ansiedade refere-se ao avanço e a importância que é atribuída ao conteúdo do mundo virtual. Diante desse cenário, são cada vez mais crescentes problemas envolvendo o cyberbulling, a supervalorização da “sociedade do ter” em prol da “sociedade do ser” acompanhada de uma instabilidade econômica grave, a preponderância de uma visão cada vez mais materialista e imediatista, tudo isso acaba ocasionando uma frustração de objetivos pessoais e profissionais e consequente aumento diários de diagnósticos de crises de ansiedades. Nesse contexto, vale citar a recente medida da rede social Instagram de remover da sua plataforma os números referentes às curtidas dos conteúdos postados, visando assim, reduzir a importância dada a esse indicador tóxico de sucesso e realização, e promovendo uma maior valorização da qualidade do conteúdo difundido.

Outro aspecto desafiador nessa temática diz respeito aos tabus com ela relacionada. Ou seja, mesmo considerada pela OMS como uma patologia preocupante na sociedade contemporânea, a ideia de buscar ajuda especializada para o tratamento, muitas vezes, ainda é vista pela sociedade como sinônimo de insanidade mental ou de reclamações desnecessárias. Desse modo, a imposição desse padrão social ultrapassado acaba dificultando o tratamento precoce da doença e a circulação de informações e conhecimentos sobre tal enfermidade, ocasionando assim, o aumento das estatísticas preocupantes, como por exemplo, as referentes a suicídios, já que, como dizia Émile Durkheim, o homem, mais do que formador da sociedade, é um produto dela.

Portanto, a fim de reduzir os desafios existentes no combate à ansiedade da sociedade contemporânea é necessário um maior ceticismo pelos os usuários das redes sociais acompanhado de uma redução da valorização dedicada a tal ferramenta bem como é necessário um plano do Ministério da Saúde para maior conscientização da sociedade sobre tal enfermidade, por meio de campanhas publicitárias, incentivando a busca imediata de profissionais da saúde, bem como disponibilizando uma rede gratuita de atendimento para aqueles que não possuem condições financeiras.