Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 25/07/2020

A Declaração Universal dos Direitos Humanos, promulgada pela ONU em 1948, garante a todos os indivíduos o direito à saúde e ao bem-estar social. Entretanto, o aumento dos casos de ansiedade no Brasil Hodierno impossibilita o desfrute desse direito internacional na prática. Dessa forma, questões como a negligência do Estado e o crescimento de transtornos mentais entre os estudantes precisam ser solucionadas na seara atual.

Em primeiro plano, a redução de investimento nos Centros de Atenção Psicossocial (Caps) corrobora a problemática. A esse respeito, segundo dados divulgados pelo UOL, os pacientes da rede pública municipal de saúde mental do Rio de Janeiro, em decorrência do corte de verbas da prefeitura e ausência de repasses federais, sofrem com a falta de medicamentos e equipes de profissionais. Ocorre que um dos princípios doutrinários do SUS é a integralidade, a qual tem por objetivo garantir o acesso das pessoas a todos os setores de atendimento, sendo assim, tal fato compromete esse direito fundamental, já que não haverá médicos e remédios suficientes para todos os pacientes. Dessa maneira, enquanto o descaso do Estado for a regra, o desfrute desse direito na prática será a exceção.

De outra parte, as doenças psicológicas estão cada vez mais frequentes na vida dos acadêmicos. Nesse contexto, de acordo com a pesquisa realizada pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) em 2016, sete em cada dez alunos de instituições federais no Brasil sofrem de algum tipo de dificuldade mental – como estresse e ansiedade. Acontece que a alta demanda na vida acadêmica, profissional e pessoal, e os variados perfis dos estudantes contribuem no aumento da ocorrência desses transtornos, os quais levam os estudantes a apresentarem sintomas como dificuldade de concentração e para dormir, prejudicando o seu rendimento escolar. Assim, não é razoável que a falta de amparo por parte das instituições de ensino afetem o bem-estar do indivíduo.

Urge, portanto, medidas para combaterem o aumento dos índices de ansiedade no Brasil. Desse modo, as prefeituras devem promover um maior investimento nos Caps, por meio do repasse de verbas do Ministério da Saúde, contratando mais psiquiatras e garantindo o fornecimento de medicamentos necessários que atendam a demanda, a fim de assegurar o acesso integral de toda a população. Ademais, as instituições precisam trabalhar para estabelecer estratégias as quais deem apoio aos estudantes, mediante a disponibilização de psicólogos e o incentivo ao aluno a incluir um autocuidado na rotina, como a prática de esportes e o lazer, combatendo e prevenindo, assim, diagnósticos de ansiedade. Dessarte, o direito à saúde e ao bem-estar social será, de fato, assegurado na prática.